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BofA: ata tem tom mais duro que comunicado, sugerindo preferência por condução gradual do juro

23 de junho de 2026

Por Maria Regina Silva

São Paulo, 23/06/2026 – A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) transmitiu um tom mais duro do que o comunicado divulgado na semana passada, apesar de ter reduzido a Selic, avalia o Bank of America (BofA). Na ocasião, o Copom do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto porcentual, para 14,25% ao ano, conforme o esperado.

Segundo o BofA, na ata, o Copom sinalizou explicitamente uma piora na dinâmica da inflação e, sobretudo, introduziu uma assimetria altista no balanço de riscos – ausente no comunicado -, reforçando a necessidade de cautela.

Paralelamente, o banco americano diz que o colegiado do BC indicou preferência por uma condução gradual, com juros “altos por mais tempo”, evitando mudanças bruscas que poderiam ser disruptivas.

De acordo com o banco americano, o parágrafo 20 da ata do Copom reforça o seu cenário-base: os cenários alternativos consideram combinações de pausas e retomadas no ciclo de cortes, com convergência da inflação apenas no primeiro trimestre de 2028.

Para o Copom, essas trajetórias reduzem a volatilidade macroeconômica e preservam a convergência, cita o BofA. Isso, diz o banco americano, se alinha mais a um perfil de afrouxamento “stop and go” do que a um ciclo linear.

No geral, diz, a avaliação é de que a ata reforça um regime de juros altos por mais tempo, em meio à deterioração da inflação, riscos assimétricos para cima, sem “pivô” para aumentos da Selic e endosso explícito à dinâmica de pausa e retomada.

“Mantemos nossa projeção de Selic em 14,25% até meados de 2027, com um ciclo de afrouxamento suave na sequência, encerrando 2027 em 13,25%”, diz o relatório assinado pro Natacha Perez, David Beker e Gustavo Mendes.

Contato: reginam.silva@estadao.com

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