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Fechamento câmbio: Dólar recua e fecha abaixo de R$ 5,15 com ajustes e ‘casadão’ do BC

22 de junho de 2026

Por Antonio Perez

São Paulo, 22/06/2026 – O dólar abriu a semana em baixa moderada no mercado local, devolvendo parte da alta de mais de 2% registrada na semana passada, com ajustes e realização de lucros. Além da redução do risco geopolítico, com as negociações entre Estados Unidos e Irã, há expectativa de que a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) traga amanhã um tom mais duro, desfazendo o desconforto provocado pelo comunicado da decisão da semana passada.

A intervenção dupla do Banco Central, com operação casada de venda de US$ 1 bilhão de moeda à vista e compra de US$ 1 bilhão de dólar futuro, por meio de swaps cambiais reversos, pode ter contribuído para a recuperação do real na sessão de hoje. Operadores não notaram, contudo, pressão na taxa de juros em dólar (cupom cambial) ou sinais de disfuncionalidade no mercado cambial doméstico.

Em baixa desde a abertura dos negócios e com mínima de R$ 5,1241 no início da tarde, o dólar à vista terminou o dia em queda de 0,45%, cotado a R$ 5,1415. A moeda americana avança 1,96% frente ao real em junho, após valorização de 1,82% no mês passado. No ano, as perdas, que chegaram a superar dois dígitos no início de maio, quando a taxa de câmbio rondava R$ 4,90, agora são de 6,33%.

Para o diretor de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, o BC pode ter realizado o “casadão” para atender a uma demanda pontual no segmento à vista e, ao mesmo tempo, dar continuidade à redução do estoque de swaps cambiais. Ele observa que não havia pressão relevante no chamado cupom cambial, que se mantém em níveis “tranquilos” nas últimas semanas.

O tesoureiro destaca que, desde o início de maio, “o real mudou de patamar frente a outras divisas emergentes”, com desvalorização na comparação com pares como o rand sul-africano (6%), o peso mexicano (5%) e o peso chileno (4,60%).

“Acredito que esse movimento se deve à melhora do presidente Lula nas pesquisas eleitorais e à pressão sobre os juros longos nos Estados Unidos”, afirma Weigt, que não vê grande espaço para recuperação da moeda brasileira em relação aos pares. “Mas, com a taxa de câmbio entre R$ 5,15 e R$ 5,20, acho melhor ficar vendido em dólar frente ao real do que ao contrário. Nossa taxa de juros ainda é muito alta.”

Além do tom duro do novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, que levou a uma valorização global da moeda americana, parte do tropeço do real na semana passada foi atribuída aos ruídos provocados pela comunicação do Copom. Apesar do aumento dos riscos altistas para a inflação e da deterioração das expectativas, o comitê cortou a taxa básica na semana passada em 0,25 ponto porcentual, para 14,25%, e teceu considerações sobre o cumprimento da meta considerando o primeiro trimestre de 2028, que passa a ser o horizonte relevante da política monetária apenas a partir do encontro do colegiado em agosto.

“Após o comunicado da semana passada, houve um questionamento sobre a credibilidade do BC que provocou certo estresse no mercado doméstico. A expectativa é que a ata possa desfazer esse desconforto”, afirma o head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, que não vê espaço para um retorno do dólar ao nível de R$ 5,00. “O real ainda é uma das estrelas do ano, mas não parece haver espaço para uma apreciação no curto prazo. A perspectiva é de um dólar mais próximo de R$ 5,20.”

Com base em modelo econométrico, o economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, vê o dólar oscilando nesta semana entre R$ 5,15 e R$ 5,16, “podendo variar entre R$ 5,06 e R$ 5,25”. Ele observa que o “casadão” realizado pelo BC hoje pode aliviar um pouco a pressão sobre o real.

“Pelas nossas estimativas, o fair value se mantém abaixo do spot desde a última semana, revelando prêmio na moeda brasileira”, afirma Tavares, acrescentando que o real é favorecido pelo carry elevado, mas sofre com o fortalecimento global do dólar. “A volatilidade mais elevada traz mais risco ao ‘trade’ na moeda brasileira.”

Termômetro do comportamento da moeda americana em relação a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY subia 0,18% por volta das 17h, pouco acima dos 101,000 pontos, perto da máxima da sessão, aos 101,076 pontos. O Dollar Index sobe mais de 2% em junho. (Antonio Perez – antonio.perez@estadao.com)

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