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22 de junho de 2026
Por Gabriel Hirabahasi, Victor Ohana e Gabriel de Sousa
Brasília, 22/06/2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou irritação a aliados com a forma como o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), lidou com o avanço das investigações da Polícia Federal contra ele no caso do Banco Master, apurou o Broadcast Político. Lula e Wagner devem se reunir na quarta-feira, 24, para definir o futuro do senador à frente da liderança do governo.
Apesar disso, Lula ainda não pretende retirá-lo por conta própria da liderança do governo. Espera que Wagner, seu amigo desde os anos 1980, faça um gesto a ele nesse sentido e abra mão da posição para não prejudicar a campanha à reeleição do presidente da República. Até agora, segundo fontes ouvidas pela reportagem, o senador indicou que não deve abrir mão do cargo.
Na semana passada, Wagner foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação de Jaques no esquema. A PF suspeita que Jaques Wagner tenha recebido um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que totalizaram R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares.
Em nota, Wagner nega que tenha atuado em favor do Banco Master ou qualquer outra instituição financeira em seu mandato parlamentar. Sobre o imóvel citado pela PF, o senador declarou que ele não integra o patrimônio do líder do governo.
O Broadcast Político apurou que a entrevista dada por Wagner à Band News na semana passada foi o principal motivo para o descontentamento de Lula. Na conversa, o senador afirmou ter falado com o presidente da República após a operação da Polícia Federal e disse que Lula prestou apoio a ele.
O fato de Wagner ter falado em público sobre o apoio do presidente foi visto como um gesto para se defender da articulação em curso no Palácio do Planalto e em alas do PT pela sua saída. Deputados petistas, como Rogério Correia (PT-MG), defenderam publicamente o afastamento de Wagner do cargo. Outros se limitaram a endossar a “fritura” do senador reservadamente.
Aliados do senador disseram ao Broadcast Político que não há nenhuma intenção da parte dele de se afastar da posição. Fontes petistas ouvidas pela reportagem afirmaram que o tempo e o avanço das investigações contra outras figuras da política poderiam jogar a favor de Wagner para que ele saia do holofote e ganhe tempo para permanecer no cargo.
O Broadcast Político apurou ainda que um dos temores do senador é que sua saída da liderança do governo seja vista como uma confissão de culpa no caso Master. Wagner nega todas as suspeitas de irregularidades na relação com Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro.
A busca por uma narrativa que permita ao governo Lula se afastar desse escândalo e garanta ao senador uma narrativa que não o prejudique politicamente, principalmente tendo em vista que ele disputa a reeleição ao Senado na Bahia, é uma articulação em curso por parte de integrantes do PT.
Contatos: gabriel.hirabahasi@broadcast.com.br, victor.ohana@broadcast.com.br e gabriel.sousa@broadcast.com.br
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