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Especial: Copom chega aos 30 anos, passando por mudanças, turbulências e amadurecimento

22 de junho de 2026

Por Célia Froufe

Brasília – Poucas siglas têm tanto impacto sobre a vida dos brasileiros quanto o Copom. A cada reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, investidores, empresários, consumidores e governos aguardam a decisão que pode alterar o rumo da economia nacional, como a que ocorreu esta semana. Responsável por definir a taxa básica de juros do País, a Selic, o colegiado tornou-se uma das instituições mais influentes do sistema financeiro brasileiro. Sua história acompanha a própria evolução da política monetária moderna no Brasil.

O Copom foi criado em junho de 1996 pelo Banco Central do Brasil e completou 30 anos no sábado, 20. A iniciativa buscava aproximar o modelo brasileiro das práticas adotadas pelos principais bancos centrais do mundo, especialmente o sistema utilizado pelo Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos), o Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês) e pelo Deutsche Bundesbank, o banco alemão que era referência internacional em controle da inflação.

Naquele período, o Brasil vivia os desafios da consolidação do Plano Real, que havia conseguido conter a hiperinflação após décadas de instabilidade monetária. A manutenção da estabilidade dos preços exigia instrumentos cada vez mais sofisticados de política econômica, e a criação de um comitê especializado para definir os juros passou a ser considerada fundamental.

Inicialmente, o Copom tinha como principal objetivo estabelecer diretrizes para a política monetária e definir a taxa de juros de curto prazo. As reuniões passaram a ocorrer regularmente – uma vez ao mês -, reunindo a diretoria do Banco Central para analisar indicadores econômicos, expectativas do mercado, cenário internacional e projeções de inflação.

Uma transformação importante ocorreu em 1999, quando o Brasil adotou oficialmente o regime de metas para a inflação. A mudança aconteceu após a crise cambial que levou ao abandono do sistema de bandas cambiais e marcou uma nova fase da política econômica brasileira. Desde então, o principal papel do Copom passou a ser ajustar a taxa Selic para garantir que a inflação permaneça próxima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN, formado pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do BC).

Na prática, o funcionamento do comitê baseia-se em um princípio relativamente simples: quando a inflação ameaça subir acima da meta, o Copom pode elevar os juros para reduzir o consumo e desacelerar a economia. Quando a atividade econômica está fraca e a inflação sob controle, os juros podem ser reduzidos para estimular investimentos, crédito e geração de empregos.

Turbulências – Ao longo de sua trajetória, o colegiado enfrentou períodos de grande instabilidade. Crises internacionais, como a Crise Financeira Global de 2008, exigiram respostas rápidas da autoridade monetária. No cenário doméstico, episódios de forte pressão inflacionária e recessões econômicas também colocaram à prova a capacidade técnica do comitê.

A composição do Copom também evoluiu. Atualmente, participam do processo decisório o presidente do Banco Central e os diretores da instituição, cada um responsável por áreas específicas da política monetária, fiscalização, regulação e relacionamento com o sistema financeiro. As decisões são tomadas por maioria de votos e divulgadas ao público em comunicados oficiais, reforçando a transparência do processo. Antes, chefes de departamento e outros servidores de segundo escalão também participavam da decisão. Atualmente, são escalados apenas para o primeiro de dois dias de reunião, no qual apresentam análises macroeconômicas.

Outro marco importante ocorreu com a aprovação da autonomia formal do Banco Central, em 2021 – agora, a instituição busca a autonomia orçamentária. A medida fortaleceu a independência da instituição em relação ao governo do momento, buscando garantir maior previsibilidade às decisões de política monetária. Embora continue sujeito ao controle institucional e à prestação de contas à sociedade, a autarquia passou a contar com maior proteção contra pressões políticas de curto prazo.

Hoje, as reuniões do Copom são acompanhadas de perto por analistas financeiros, que aguardam o segundo dia de encontro terminar para avaliar o comunicado da decisão. Cada palavra dos documentos oficiais é examinada em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária. A Selic, por sua vez, influencia diretamente financiamentos imobiliários, empréstimos bancários, rendimentos de investimentos e até mesmo o ritmo de crescimento da economia.

Três décadas após sua criação, o Comitê de Política Monetária consolidou-se como um dos principais pilares da estabilidade econômica brasileira. Em um País que conviveu durante anos com inflação elevada e incertezas monetárias, o Copom tornou-se símbolo da busca por previsibilidade, controle de preços e confiança no sistema financeiro. Suas decisões continuam moldando o cotidiano de milhões de brasileiros, demonstrando como a política monetária, muitas vezes percebida como um tema técnico e distante, afeta diretamente a vida da população.

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