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12 de dezembro de 2025
Por Jean Mendes
São Paulo, 12/12/2025 – O diretor-presidente da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), Bernardo Srur, afirma que a associação enfrenta uma crise política que expõe a entidade que representa empresas do universo cripto, como exchanges, tokenizadoras e prestadores de serviço. Srur irá disputar a reeleição na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) no próximo dia 16. Os candidatos têm até hoje, dia 12, para apresentar oficialmente suas chapas e concorrerem ao cargo.
No último ano, a ABCripto enfrentou uma série de disputas internas que se tornaram públicas quando a diretoria, formada pelo presidente da associação e pelo diretor de Educação e Pesquisa, Fábio Moraes, decidiu processar quatro conselheiros. A diretoria acusou esses membros do conselho de conspirar para destituir Srur do cargo ao tentarem convocar uma assembleia e deliberar sobre um novo presidente para a entidade.
O mandato de Srur termina em 16 de dezembro e, sem uma assembleia, ele seria automaticamente reconduzido ao cargo. A AGE foi marcada para cumprir uma decisão judicial.
As disputas internas entre o conselho e o presidente da ABCripto se intensificaram após pedidos de alguns conselheiros por maior transparência sobre as contas da associação. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que Srur evitava abrir os números, mesmo quando havia o pedido em reunião do conselho.
O relato de Srur com relação a sigilo é diferente. Ele afirma que fez um pedido para o conselho para impor sigilo sobre algumas informações em setembro de 2025 depois de uma série de vazamentos de informações sigilosas da instituição. “Foi um pedido que eu fiz e o conselho aprovou”, diz o presidente.
“Após isso, disponibilizamos todos os documentos numa ferramenta de data room especializada. Colocamos todas as informações que eles pediram ali dentro. E dentro desse grupo, a maior parte do conselho disse o seguinte: ‘eu não quero ter acesso'”, afirma Srur.
Segundo fontes, para ter acesso às informações disponibilizadas no data room, era necessário aceitar um termo onde os signatários não poderiam falar sobre os dados por cinco anos nem mesmo com membros do conselho. Essa condição, segundo as fontes, inviabilizou o aceite dos termos e, principalmente, o apelo por maior transparência.
Crise
A crise interna da ABCripto foi sucedida pela saída de alguns associados – Itaú, Liqi, GCB, Coinbase e Avenia -, enquanto outros aguardam o resultado da AGE, no dia 16, para decidir se permanecem ou não na entidade. O Mercado Bitcoin, uma das empresas que participou da fundação da ABCripto, anunciou seu desligamento em julho do ano passado.
Em nota à Broadcast, a NovaDAX, outra fundadora da associação, declarou que mantém seu vínculo institucional com a ABCripto. A empresa afirma, “contudo, está acompanhando de perto as questões internas da ABCripto e não compactua com a falta de transparência. Por isso, tomará decisões após a reunião que decidirá os rumos da Associação no dia 16 de dezembro”.
O CEO da Transfero, Claudio Just, também comentou o caso à Broadcast, afirmando: “Não participamos politicamente da associação.” “Nosso papel é muito mais de um associado em defender os interesses da Transfero.” Just mencionou que a Transfero só se envolvia na associação quando surgia algum novo tema no setor, momento em que ele apresentava seus interesses.
Outras empresas, que preferiram não se identificar, informaram que aguardam a decisão da AGE para decidir se permanecerão na ABCripto.
Contato: jean.mendes@broadcast.com.br
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