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18 de junho de 2026
Por Marcelo de Moraes
Brasília, 18/06/2026 – A ação de busca e apreensão da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), deverá ter desdobramentos com potencial para mexer no cenário da disputa presidencial.
Além de afetar diretamente um amigo de décadas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de dar fôlego e discurso para a oposição, o envolvimento de um dos protagonistas do governo e do PT com o escândalo do Banco Master pode ter forte impacto matemático. Em 2022, o eleitorado baiano deu a Lula uma vantagem de quase 4 milhões de votos sobre Jair Bolsonaro (PL) no Estado. É esse patrimônio eleitoral, decisivo quatro anos atrás, que passa a ficar em jogo com a crise do PT baiano.
Em 2022, no segundo turno da disputa, Lula recebeu 72,12% dos votos válidos no Estado, o que equivaleu a mais de 6 milhões de votos. Bolsonaro obteve 27,88%, somando 2,3 milhões de votos. De quebra, o PT elegeu Jerônimo Rodrigues governador e reelegeu o senador aliado Otto Alencar (PSD). É essa hegemonia e essa vantagem de 4 milhões de votos no Estado que Lula quer evitar perder por causa do escândalo.
O presidente já vem enfrentando uma disputa presidencial atípica, em que os dois principais candidatos têm rejeição muito elevada. O escândalo do Master tem força para piorar esse quadro, e a prova disso é o estrago causado na pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), quando foi revelado o áudio de sua conversa com Daniel Vorcaro pedindo recursos ao banqueiro.
Aliados do presidente já defendem a saída de Wagner do posto de líder, mas há preocupação sobre até que ponto pode ter sido o envolvimento do PT da Bahia com o Master e se existe a possibilidade de isso afetar outros integrantes do grupo.
Em uma eleição marcada por alta rejeição e desgastes sucessivos dos candidatos, a revelação de envolvimento com escândalos como o do Master pode ter peso para mudar um quadro que caminhava para se tornar muito favorável a Lula.
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