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Fontes: Sobre Wagner, Lula adotará discurso de que PF atua de forma independente doa a quem doer

18 de junho de 2026

Por Vera Rosa, do Estadão

Brasília, 18/06/2026 – A operação da Polícia Federal que investiga o senador Jaques Wagner (PT-BA) ameaça arrastar o governo Lula para o centro do escândalo do Banco Master. A preocupação é com o impacto das investigações sobre a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a novo mandato. A ordem no PT é defender Wagner com veemência, mas Lula vai tentar se descolar da crise, recorrendo ao mesmo discurso já usado a respeito das investigações da Polícia Federal em relação a seu filho Fábio Luís, o Lulinha.

É a primeira vez que a Polícia Federal aponta indícios mais robustos no caso Master não apenas contra um expoente do PT, mas, sobretudo, um nome da inteira confiança do presidente. Wagner é amigo-irmão de Lula, chamado por ele de “galego”.

As suspeitas de que Wagner teria recebido do banco de Vorcaro um apartamento avaliado em R$ 2,45 milhões, em Salvador, além de pagamentos por meio de uma empresa de sua nora expuseram a campanha de Lula e do PT no momento em que o governo associa cada vez mais o escândalo do Master ao Centrão e ao senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário. Foi da lavra do PT, por exemplo, a expressão “Bolsomaster”.

A estratégia de Lula para se desvencilhar da crise, no entanto, será dizer que no seu governo a Polícia Federal trabalha com independência. Quando questionado sobre o assunto, Lula recorrerá à linha “doa a quem doer”, a mesma adotada logo que a PF começou a vasculhar as movimentações de Fábio Luís, seu filho mais velho, e as possíveis ligações dele com o desvio das aposentadorias do INSS.

“Se tiver filho meu metido nisso, ele será investigado”, disse Lula, na ocasião. O presidente costuma afirmar, ainda, que não tem “compromisso com o erro”.

Ex-governador da Bahia, Wagner ainda não se manifestou sobre as investigações da PF, mas o Estadão apurou que ele disse a Lula que provará sua inocência no caso. Até agora, tanto o senador como o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa, que também foi governador da Bahia, só admitiam proximidade com Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro.

Foi no governo de Wagner que Lima, então no Banco Pleno, começou a ganhar prestígio após comprar a rede de supermercados estatal Cesta do Povo. O “pulo do gato” da privatização, de acordo com as investigações, foi a aquisição do Credcesta, um cartão de benefícios para servidores públicos. O negócio se expandiu pelo País, alavancando o Banco Master.

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