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18 de junho de 2026
Por Aguirre Talento, Felipe de Paula e Fausto Macedo, do Estadão
Brasília e São Paulo, 18/06/2026 – A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira, 18, a nona fase da Operação Compliance Zero e tem como alvo principal de busca e apreensão o senador Jaques Wagner (PT), líder do governo Lula no Senado. A investigação apura fraudes envolvendo o Banco Master e o PT da Bahia, os vínculos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a suposta participação do parlamentar no esquema. Essa é a primeira fase da operação que mira políticos aliados do presidente Lula.
A PF suspeita que Jaques Wagner recebeu um imóvel de R$ 2,5 milhões e pagamentos de propina que totalizaram R$ 3,5 milhões por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. Segundo os investigadores, a estrutura teria sido utilizada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto das fraudes investigadas na Compliance Zero.
A PF também investiga se Jaques Wagner usou a atuação parlamentar para defender pautas de interesse do Banco Master no Congresso. Segundo os investigadores, o senador teria tratado diretamente com o ex-sócio da instituição, Augusto Ferreira Lima, de propostas que poderiam beneficiar o banco controlado por Daniel Vorcaro.
A investigação cita a atuação de Jaques Wagner em propostas que ampliaram o acesso ao crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, aposentados e pensionistas do INSS, além de beneficiários do BPC e de programas sociais do governo federal. Segundo a PF, o senador teria participado de articulações relacionadas a essas medidas, consideradas de interesse do Banco Master.
Os investigadores também apontam a atuação de Wagner em discussões sobre mudanças nas regras do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e no acompanhamento da possível compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).
O Estadão pediu manifestação de Jaques Wagner sobre a operação. O espaço está aberto.
Além de endereços ligados a Wagner, os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão nesta manhã em empresas e imóveis de Augusto Lima na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.
A defesa de Augusto Lima informou que “as diligências realizadas pela Polícia Federal eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.”
Lima foi o responsável por implementar no governo da Bahia, quando Wagner era governador (2007-2014), um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master. O Credcesta constituía o principal ativo financeiro do banco.
Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.
A decisão também determina medidas cautelares, entre elas a proibição de contato entre os investigados, a suspensão de passaportes e o uso de monitoração eletrônica.
Operação mira braço do Master no PT da Bahia
O empresário Augusto Lima chegou a ser preso na primeira fase da Compliance Zero, em novembro do ano passado, mas foi solto pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e não foi alvo de outras fases. A suspeita da PF é que ele também atuou na operação fraudulenta de venda do Master ao Banco Regional de Brasília (BRB).
Ele é considerado um empresário influente na Bahia com trânsito entre políticos do PT e também da oposição.
Em fases anteriores, a PF já mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que foi ministro da Casa Civil do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O que diz a defesa de Augusto Lima
As diligências realizadas pela Polícia Federal nesta data eram desnecessárias, uma vez que Augusto Lima está há seis meses à disposição das autoridades para esclarecer os fatos em apuração.
De todo modo, as medidas contribuirão para demonstrar que os fatos apurados nesta fase da investigação são rigorosamente lícitos.
Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública.
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