Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

COP: Reunião de Bonn termina com impasses sobre financiamento e foco na implementação

19 de junho de 2026

Por Cristina Canas

São Paulo, 19/06/2026 – Terminou ontem a 64ª Sessão dos Órgãos Subsidiários (SB64) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC), conhecida como “reunião de Bonn”, referente à preparação para a COP31. O encontro, que durou 10 dias na Alemanha, reuniu negociadores de 200 países e serviu como principal etapa técnica para alinhar os compromissos climáticos antes da conferência principal, que acontecerá na Turquia entre os dias 9 e 20 de novembro.

A avaliação geral é de que a SB64 foi marcada por impasses sobre financiamento, mas também pela continuidade de uma mudança de abordagem que desloca o foco das negociações para a implementação.

Para Fernanda Bortolotto, especialista em Política Climática da The Nature Conservancy Brasil (TNC), a percepção é de que as sessões de Bonn cumpriram seu papel de avançar tecnicamente nos temas e calibrar o ambiente político, deixando mais claro o que pode amadurecer até a COP31. Segundo ela, as discussões em Bonn também permitiram identificar onde estão os impasses estruturais.

De acordo com a especialista, embora haja um reconhecimento de que a COP30, realizada no ano passado em Belém, ajudou a reconstruir confiança no multilateralismo e apresentou uma nova forma de organizar o regime climático, ainda há impasses quando se discutem os compromissos financeiros.

A agenda de adaptação é o principal foco de tensão, na avaliação de Bortolotto. Ela pontuou que mesmo com a adaptação sendo tratada como prioridade, com os indicadores do Objetivo Global de Adaptação (GGA) aprovados em 2025, não houve consenso sobre metas financeiras. A representante da TNC destaca que alguns países têm procurado, inclusive, retirar a promessa de triplicar os recursos para adaptação.

“Essa disputa levou à não adoção do texto elaborado nas duas semanas na plenária final e, com isso, o tema deverá ser retomado do zero na COP31”, conta. Ao mesmo tempo, destacou progressos na agenda de transição justa, citando a construção de textos e o início de discussões estruturadas sobre o que foi acordado em Belém.

Na agenda de combustíveis fósseis, o debate passou a se concentrar na implementação, com foco na reforma de subsídios, precificação de carbono, ajustes fiscais e aceleração de tecnologias disponíveis. “Ganha força a leitura de que a implementação pode avançar mesmo sem consenso pleno. A Agenda Global de Ação Climática, que teve sua estrutura remodelada pela presidência brasileira, surge como peça central nesse arranjo”, avalia.

Nesse sentido, a presidência da COP30 divulgou os avanços práticos da Agenda Global de Ação Climáticas ocorridos nos últimos seis meses durante sessões da SB64 ocorridas nos dias 9 e 10 deste mês.

“Seis meses após a COP30, estamos vendo evidências claras de que a era da implementação já começou”, afirmou Dan Ioschpe, Campeão Climático de Alto Nível da COP30. “A arquitetura criada em Belém está funcionando, o impulso está crescendo e parceiros ao redor do mundo estão transformando a ambição climática em ação concreta. Estabelecemos um mecanismo previsível e plurianual de entrega de resultados que pode continuar a acelerar o progresso de uma COP para a outra.”

Para Bortolotto, o cenário que se desenha para a COP31 é de maior pressão por entrega e compromissos concretos dos países. “A próxima presidência já delineia uma agenda focada em transição energética, segurança alimentar, cidades resilientes e economia circular, com uma tentativa de integrar agendas globais”, avalia.

Veja também