Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

São Paulo precisa se modernizar para fiscalizar terceirização de serviços, diz conselheiro do TCE

17 de junho de 2026

Por Pedro Augusto Figueiredo, do Estadão

Brasília, 17/06/2026 – O conselheiro Marco Aurélio Bertaiolli, do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP), afirma que o Estado precisa se modernizar para dar conta de uma mudança que se consolidou ao longo dos últimos 30 anos: a máquina pública terceirizou cada vez mais a prestação de serviços à população e assumiu o papel de fiscalizadora dessas atividades.

O problema, segundo Bertaiolli, é que o Estado não se estruturou adequadamente para isso. “Temos uma necessidade de modernização em todas as áreas do Estado para sermos capazes de fiscalizar e regular adequadamente a terceirização desses serviços, seja para a iniciativa privada ou para as organizações sociais”, disse ele ao Estadão.

O conselheiro é o relator das contas do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) referentes ao ano de 2025. O julgamento começou às 10h desta quarta-feira, 17. Em seu voto, Bertaiolli foi além da questão contábil e orçamentária e apresentou um diagnóstico sobre a estrutura do Estado.

Ele aponta como ponto de virada a década de 1990 com a criação do Programa Estadual de Desestatização em 1996 e do Plano Diretor da Reforma do Aparelho do Estado em 1995.

Um dos exemplos é a Agência de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp). Dados de janeiro apontam que 45,5% da malha rodoviária paulista estava concedida à iniciativa privada. Somados, os contratos chegam a R$ 148 bilhões, segundo o TCE.

De acordo com o conselheiro, a Artesp sofre com um quadro de servidores defasado e depende excessivamente de empresas privadas terceirizadas para emitir pareceres técnicos que embasam as mais diversas decisões da diretoria sobre as concessões, como pedidos de reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos.

Bertaiolli também aponta que a Secretaria de Saúde ainda não está totalmente adaptada para gerir e fiscalizar o volume bilionário de contratos com as Organizações Sociais de Saúde (OSS).

Segundo ele, o modelo, iniciado em 1998, atualmente domina o setor: dos 102 hospitais estaduais, 62 são geridos pela OSS, enquanto o Estado administra diretamente apenas 29. No ano passado, os repasses ao terceiro setor na Saúde somaram R$ 19 bilhões, o equivalente a 52% do orçamento total da secretaria.

O conselheiro ressalta que seu diagnóstico é sobre o Estado como um todo e não especificamente sobre a gestão Tarcísio. Ex-prefeito de Mogi das Cruzes, deputado estadual e deputado federal, ele foi indicado ao TCE pelo governador em 2023 com apoio do presidente do PSD, Gilberto Kassab, e do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Veja também