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"Impacto não chega a ser material em nossos resultados", disse o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho
8 de maio de 2026
Por André Marinho
Os principais bancos do Brasil já iniciaram as operações de renegociações no âmbito do Novo Desenrola Brasil, programa do governo que busca aliviar a pressão do endividamento das famílias. Poucas horas após o anúncio formal da iniciativa, na última segunda-feira, as instituições financeiras começaram a disponibilizar canais na internet e nas agências para os clientes interessados.
A iniciativa é voltada para trabalhadores com renda de até cinco salários mínimos e dívidas de até R$ 15 mil, com atrasos entre 90 dias e dois anos. Os descontos podem chegar a 90%, com base em garantias do Fundo Garantidor de Operações (FGO).
O Bradesco foi o primeiro a confirmar que participaria do programa e, até ontem, já havia recebido o pré-cadastro de 18 mil pessoas. No Banco do Brasil, foram 1.807 repactuações totalizando cerca de R$ 3 milhões apenas no primeiro dia da operação. Santander, Nubank e Caixa Econômica Federal também confirmaram adesão logo na largada.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) estima que potencial de R$ 100 bilhões em renegociações de dívidas de 27 milhões de brasileiros em atraso. Levantamento da Serasa Experian, porém, mostrou que as dívidas da população atingiram R$ 557 bilhões em março, com 82,8 milhões de inadimplentes.
As principais entidades do setor elogiaram as medidas e reforçaram o compromisso com a redução na alavancagem dos brasileiros. No entanto, a expectativa é de que o programa tenha impacto limitado nas métricas de qualidade dos maiores bancos, que já vêm se tornando mais conservador na concessão para públicos de menor renda, em meio aos juros restritivos.
“O impacto não chega a ser material em nossos resultados”, comentou o presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho. O maior banco privado do País é, historicamente, forte nas classes média e baixa, além de ter inadimplência controlada e bem menor que a dos pares.
Na mesma linha, o presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, indicou que o efeito deve ser sentido mais nas carteiras com atrasos próximo a dois anos, sem relevância significativa para o portfólio como um todo. Ele, no entanto, recebeu a iniciativa positivamente. “O Desenrola é bom para a população”, elogiou, durante coletiva de imprensa, após o balanço do primeiro trimestre.
No Santander Brasil, o CEO Mario Leão rejeitou as críticas de que o programa teria cunho eleitoral. Para ele, o governo fez o “diagnóstico certo” ao identificar a pressão dos juros sobre as famílias e ouviu os agentes do setor para desenhar as medidas. “Acreditamos na relevância, necessidade e timing do programa”, destacou.
Analistas do UBS BB avaliam que o Nubank deve ser mais afetado do que os pares, por conta do mix de produtos e clientes da fintech. Já o Bank of America vê ainda PicPay e Bradesco como principais beneficiários. O BofA lembra que o primeiro Desenrola provocou alívio pontual, mas não estrutural, porque os juros só subiram depois disso. O mesmo fenômeno pode voltar a acontecer desta vez, sobretudo se a Selic não cair estruturalmente, o que prolongaria o estresse no mercado de crédito, de acordo com a análise.
Para ampliar a efetividade dos esforços contra o endividamento, praticamente todos os principais bancos confirmaram que oferecerão condições especiais para clientes que não se enquadrem no público-alvo. O BB afirma que fechou 10,1 mil novos acordos ontem nessas circunstâncias, a um montante de quase R$ 95 milhões. De acordo com o banco público, houve um aumento de 87% na quantidade de renegociações, considerando todas as faixas, na comparação com o início da semana passada.
O próximo passo do governo deve ser um pacote para aliviar os brasileiros que estão com as dívidas em dia, mas com as contas pressionadas. A possibilidade foi levantada pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, ontem. Participantes do mercado disseram ainda não terem sido procurados formalmente pela Fazenda para tratar do assunto esclareceram e que as negociações para o Novo Desenrola focaram somente nos inadimplentes.
Milton Maluhy, do Itaú, argumentou que a operacionalização de um programa para adimplentes seria mais desafiadora. Por isso, ele defende que haja um debate abrangente com o governo. “Não fomos chamados para esse debate de forma estruturada. Seremos, em breve. Acho que será a próxima discussão que nós teremos”, comentou. “Vamos contribuir via Febraban”, acrescentou Maluhy, que hoje é presidente do Conselho Diretor da associação representativa dos grandes bancos.
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