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Companhias têm problemas de origem dentro de guarda-chuva de gestão enquanto juro real avoluma os passivos
26 de março de 2026
Por Cynthia Decloedt
Seguidos anúncios de renegociação de dívidas colocaram sob os holofotes grandes conglomerados, geridos há décadas por experientes empresários. Juntas, quatro companhias de peso com ativos somados de R$ 450 bilhões, carregam dívidas que superam R$ 150 bilhões. A gigante Cosan, que está vendendo ativos e viu a subsidiária Raízen pedir recuperação extrajudicial; a CSN busca de financiamento e também está desinvestindo; e a Braskem, passa por uma transição societária que deve ser sucedida por renegociação de suas dívidas e venda de ativos.
“Não é pouca coisa, que um conjunto tão grande de empresas tenha tantas dificuldades”, diz o fundador e CEO da CF Partners, Carlos Fadigas. Todas essas companhias, afirma, estão chegando ao limite e partindo para soluções mais duras de renegociação de passivos. Elas carregam problemas de origem, dentro de um guarda-chuva de gestão, que pode estar no capital de giro, investimento de capital (capex); nos projetos de expansão, marcados por número agressivo de aquisições ou decisões tardias à disrupção tecnológica.
Fadigas lembra também da dinâmica de perda de competitividade da indústria brasileira, no caso das petroquímicas e siderúrgicas, e dos efeitos de assimetrias de tributação, que atinge empresas de energia e distribuidoras de combustíveis, além de varejistas que competem com a China.
Nesta atual onda de reestruturações, o juro real elevado por vários anos avoluma o passivo das companhias, mantém fechado o acesso das empresas ao capital da bolsa e peneira a entrada delas no mercado de dívida. “Temos de voltar atrás por mais de 16 anos para chegarmos a um juro real tão consistentemente alto como agora”, diz Fadigas.
“Corremos o risco completar meia década sem IPO [oferta inicial de ações, na sigla em inglês], algo que só aconteceu no século passado”, acrescenta o CEO da CF Partners. A Cosan, que controla a Raízen, tinha plano de listar algumas das empresas do grupo em bolsa, assim como a CSN pretendia realizar o IPO da CSN Cimentos, agora à venda.
Fadigas chama atenção ainda que o desfecho para as companhias seria outro se a combinação de fatores que se apresenta não fosse tão perversamente perfeita, fazendo com que problemas naturais da vida empresarial, que antes poderiam passar despercebidos, ficassem expostos. “Há uma série de problemas que em outras circunstâncias não seriam tão letais. Mas temos um ambiente hoje que não perdoa”, acrescenta Fadigas.
O CEO da RSM Brasil, empresa de auditoria e contabilidade, Laercio Soto, diz que boa parte das grandes indústrias brasileiras que se veem diante de uma reestruturação captaram recursos, distribuíram altos dividendos e deixaram de investir consistentemente em seus parques fabris, tecnologia e suas próprias operações nos últimos dez anos.
“A conta vem de qualquer jeito e tudo o que vemos é represado e com o custo de capital altíssimo e isso leva as companhias a se reorganizarem”, diz. Soto acrescenta que não só o custo está elevado, como tem percebido entre seus clientes, a dificuldade de acesso aos recursos. “Os bancos estão preferindo diversificar sua exposição as pessoas jurídicas e exigindo muitas garantias, dado todos os eventos recentes de inadimplência”, afirma.
Para Soto, os processos de reestruturação de passivos que acontece neste momento entre os grandes conglomerados é a ponta do iceberg. “Abaixo deles, existem companhias de médio porte que estão bastante machucadas e, dado o custo elevado do capital e do acesso restrito a ele, estão negociando diretamente com fornecedores”, conta.
Também não é novidade que o juro abaixo de dois dígitos, especialmente quando chegou aos 2%, estimulou a tomada de recursos pelas empresas, em alguns casos acima das próprias necessidades, e um exagero nos investimentos. “A história não é diferente entre os grandes conglomerados e os pequenos. Basicamente estamos falando de alavancagens maiores do que a média histórica, quando o juro estava baixo, com as companhias acreditando em crescimento econômico elevado”, diz o sócio da Sêneca Evercore, Daniel Wainstein.
O crescimento não veio e a dívida cresceu mais do que a geração de caixa. “É uma situação insustentável. Optaram por uma estrutura de capital que não prevaleceu”, acrescenta Wainstein. Para ilustrar, o executivo diz ainda que o índice de cobertura, que indica a capacidade de pagamento do custo financeiro de suas dívidas, de empresas médias brasileiras negociadas na bolsa atingiu 1,36 vez, o menor desde 2017. Já as empresas maiores que compõem o Ibovespa, apesar de mais alto que ao das médias, é o menor desde 2020, em 2,56 vezes.
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