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Para o vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, governo vai cumprir com benefícios pactuados
22 de março de 2026
Por Eduardo Laguna e Ivo Ribeiro (do Estadão)
O vice-presidente sênior da BYD no Brasil, Alexandre Baldy, diz que os benefícios para a importação de carros da China foram pactuados com o governo para viabilizar os investimentos da montadora chinesa de automóveis híbridos e elétricos na fábrica de Camaçari, na Bahia.
Segundo o executivo, a empresa reiterou em encontro na semana passada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a importância de o governo cumprir o que foi combinado. Em entrevista à Broadcast, Baldy falou sobre o pedido, contestado pelas montadoras tradicionais, por novas cotas para trazer sem imposto de importação carros que têm a produção finalizada em Camaçari.
“Se o governo cumpre com aquilo que foi pactuado para ter um investimento, acreditamos piamente que vai cumprir”, afirmou Baldy sobre a perspectiva de ter o pedido atendido.
Na reunião com Lula, realizada na quinta-feira, 12, a marca anunciou também a contratação de mais de 3 mil trabalhadores para, segundo Baldy, a abertura do segundo turno de produção em Camaçari. Fora isso, a BYD acaba de anunciar investimentos de R$ 300 milhões em um centro de testes e avaliação automotiva que vai funcionar no complexo do aeroporto internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, somando-se a outros R$ 5,5 bilhões investidos em Camaçari. Abaixo, os principais trechos da entrevista:
Broadcast: A BYD tem buscado renovar cotas de importação ou outros benefícios com o setor público?
Alexandre Baldy: Não é buscar renovar. Na verdade, é cumprir aquilo que foi o plano da empresa apresentado para o governo com toda a transparência. Só buscamos aquilo que foi apresentado e absorvido pelo setor público como possível. Não queremos nada além e nem diferente, somente aquilo que foi entendido como viável para que pudéssemos implementar uma fábrica. Fábrica de carros, em qualquer parte do mundo, é extremamente complexa. Uma fábrica de carros, de novas tecnologias, é ainda mais. No processo de industrialização, existem transições. Então, é só cumprir com aquilo que foi desde sempre apresentado.
Broadcast: Mas o que o governo liberou foi uma cota de importação válida por seis meses, até janeiro…
Baldy: Quando tratamos especificamente de importação do regime transitório de SKD [esquema de produção em que os carros chegam à fábrica parcialmente montados], pedimos 36 meses e pactuamos 12 meses. O governo liberou seis meses para entender se os nossos investimentos estavam sendo realizados. Nós estivemos com o presidente da República na semana passada reiterando a importância de tudo que foi pactuado.
Broadcast: Então, essa demanda já foi levada ao governo?
Baldy: Ela é reiteradamente colocada porque é algo que foi pactuado. Não é uma novidade. É um tema que foi pactuado. Para um investidor estrangeiro investir no Brasil quase R$ 6 bilhões, existe a necessidade de você ter políticas públicas transparentes e sólidas.
Broadcast: E qual é a perspectiva de o governo atender?
Baldy: Se o governo cumpre com aquilo que foi pactuado para ter um investimento, acreditamos piamente que vai cumprir.
Broadcast: Além de incentivos para a fábrica e introdução da tecnologia, o que mais a BYD tem discutido com o setor público?
Baldy: A complexidade do investimento exige que existam políticas públicas. É a primeira fábrica de carros de novas energias, de novas tecnologias, no Brasil. Não é a mesma coisa que produzir um carro comum. Existem inúmeras localizações [de componentes] que serão necessárias. O Brasil não fabrica bateria, por exemplo. Então, nós estamos falando de uma transição que não é somente para a BYD, é para todos.
Broadcast: A BYD pretende chegar a 50% de nacionalização no próximo ano. Como isso está avançando?
Baldy: Nós temos mais de 400 fornecedores homologados no Brasil. É importante registrar também que no complexo vamos fabricar parte dos componentes. São 17 fábricas de componentes nossas.
Broadcast: Haverá também linhas de pintura, armação de carrocerias?
Baldy: Começamos já a partir de abril a transição para a fabricação local. Até julho, vamos começar a fazer a transição a essas unidades: estamparia, solda, pintura. A montagem final está pronta. Vai do fim para o começo.
Broadcast: Quando a BYD finaliza esse esquema de SKD?
Baldy: Ao longo deste ano.
Broadcast: Com qual capacidade de produção?
Baldy: Até o fim do ano, tenho que estar fabricando 25 mil carros por mês, ritmo anual de 300 mil. Já estou fabricando 10 mil [mês].
Broadcast: A BYD acaba de anunciar encomendas de 100 mil carros da Argentina e do México para a fábrica do Brasil…
Baldy: Foi confirmado com a Stella [Stella Li, vice-presidente executiva global e CEO da BYD Américas e Europa] um pedido de 50 mil do México e 50 mil carros da Argentina. Para exportá-los, temos que atingir o mínimo de conteúdo local de 35%, exigido nas regras do Mercosul ou dos acordos bilaterais, como o com o México.
Broadcast: Podemos concluir, então, que um terço da produção vai para mercados internacionais?
Baldy: É muito precipitado colocar um porcentual. A BYD vem crescendo muito nos mercados, de um modo geral, e existe um grande potencial para essa fábrica ter uma participação expressiva. A BYD é número um no Uruguai, tem uma escalada bastante expressiva na Argentina, é número quatro na Colômbia. No México, está entre sétima e oitava [colocação], vem crescendo também. Em todos esses países que têm acordos com o Brasil, seja Mercosul ou acordos bilaterais, há uma oportunidade para que a BYD possa fornecer.
Broadcast: Como o senhor reage a manifestações de montadoras tradicionais contra incentivos à importação de carros híbridos e elétricos, sob o argumento de que pode fazer mais sentido trazer carros de fora do que ter uma fábrica aqui no Brasil?
Baldy: Acredito que isso é mais para confundir a população. A Fiat hoje importa Leapmotor [uma marca chinesa], a General Motors hoje importa [da China] o Spark [um utilitário esportivo] e agora o Captiva. Qual a diferença de eu importar uma Hilux [picape da Toyota] da Argentina ou fabricar uma S10 [da GM] no Brasil? Estou estimulando emprego na Argentina? Então, esse discurso é extremamente oportunista.
Broadcast: O senhor disse que vai avançar para 50% de conteúdo local, é um compromisso…
Baldy: Não é só um compromisso, é uma garantia de competitividade.
Broadcast: A BYD vai ser competitiva produzindo no Brasil, em vez de trazer carros da China?
Baldy: Mas é lógico. Quando toma a decisão de fabricar no Brasil, ela tem que se tornar cada vez mais verticalizada para ser competitiva. Estamos falando do mercado latino-americano todo. Tenho que ser competitivo fabricando aqui e vendendo aqui.
Broadcast: Quanto já foi investido na fábrica de Camaçari?
Baldy: A fábrica tem uma projeção de investimentos de R$ 5,5 bilhões, e hoje já deve ter materializado em torno de R$ 2,5 bilhões. Quem vai lá percebe a grandiosidade do projeto e o tamanho do investimento.
Broadcast: A meta de vocês é de quase 600 mil veículos de capacidade?
Baldy: Em 2028.
Broadcast: A infraestrutura do Brasil suporta a ambição da BYD de se tornar a marca número um do País?
Baldy: A rede de eletricidade suporta com toda tranquilidade. Mesmo se você eletrificar toda a frota de carros do Brasil, o que nunca vai acontecer, tem capacidade energética para suprir. O Brasil ainda tem uma grande potencialidade.
Broadcast: Qual é a visão da BYD sobre a velocidade da transição do mercado brasileiro para o carro elétrico?
Baldy: É um amadurecimento que vai ocorrer com o tempo. Quanto mais outras marcas entrarem, maior será a confiança do consumidor final em adotar a tecnologia. Em paralelo, cresce a infraestrutura de recarga. A infraestrutura de recarga cresce agora a passos muito largos. Como investimos forte para que o carro elétrico pudesse crescer no Brasil, agora a infraestrutura de recarga vai crescer, porque existe demanda.
Broadcast: A BYD terminou o ano passado com quase 6% do mercado de carros de passeio. Qual é a projeção para 2026?
Baldy: Nosso objetivo é crescer pelo menos 50%.
Broadcast: Com esse crescimento, a BYD vai ocupar qual posição no ranking de marcas?
Baldy: Nosso objetivo é crescer pelo menos 50%. Aí [posição no ranking] depende muito da variação do mercado.
Broadcast; Como a marca está trabalhando para crescer em novos canais, como vendas a locadoras?
Baldy: Fechamos um grande acordo com a Localiza, que, por ser a líder de mercado, puxa o desejo e quebra o receio de outras que queiram comprar e crescer nesse mercado [de carros híbridos e elétricos].
Broadcast: Já começaram a entregar para a Localiza?
Baldy: Dos 10 mil carros do acordo, eles já cobraram em torno de 3 mil.
Broadcast: Como está evoluindo o desenvolvimento da rede de concessionárias?
Baldy: Nós escolhemos os melhores [concessionários] em cada uma das regiões. Buscamos trabalhar com a melhor rede empresarial local. Nós somamos uma rede muito expressiva, muito agressiva, que é grande parte do nosso sucesso até o momento.
Broadcast: Hoje a BYD têm uma cobertura nacional?
Baldy: Total. Hoje, para você ter uma ideia, em Arapiraca (AL) e Petrolina (PE), no interior do Nordeste, somos líderes de mercado.
Broadcast: Essa rede ainda está em expansão?
Baldy: Temos hoje 211 concessionárias, o objetivo para o ano é fechar em 300.
Broadcast: A chegada de novos concorrentes, com as montadoras tradicionais também lançando carros híbridos, vai tornar mais disputado esse mercado de eletrificados? Fica mais difícil crescer com essa concorrência?
Baldy: Pelo contrário, eu acredito que o mercado de eletrificados vai crescer, e ele crescendo, qual marca tem maior confiança? Como é que um Dolphin Mini vende mais que um Polo no varejo brasileiro? Confiança do consumidor. Nós estamos aumentando este mercado, tirando ele da combustão e trazendo para o mundo eletrificado. E aí nós temos 75% de chance de conquistar esse consumidor que decidiu caminhar para um elétrico.
Broadcast: Qual vai ser o nível de eletrificação do Brasil na próxima década?
Baldy: Eu não me arrisco a fazer essa previsão. Porque o brasileiro pode acelerar a transição quando descobrir que o custo de manutenção e de propriedade [do carro eletrificado] é menor.
Broadcast: Muitas vezes, empresários reclamam das incertezas, do custo financeiro, do custo trabalhista e da carga tributária no Brasil. Qual é a percepção da BYD em relação ao ambiente de negócios no País?
Baldy: O meu desafio é fazer com que essa percepção seja melhor, porque, de fato, o custo Brasil é extremamente doloroso. Eu tenho o papel de estimular sempre. O board [conselho de administração] da empresa está sempre animado, sempre investindo, acreditando que temos uma oportunidade. Porque não temos concorrente com a mesma tecnologia para competir conosco. Nós temos uma janela de oportunidade global que é extremamente interessante. E temos que aproveitá-la com a maior velocidade possível para avançar e estar no top 3 o quanto antes. Quando as demais marcas conseguirem atingir a capacidade tecnológica para competir conosco, nós já vamos estar lá em cima, com viabilidade, com fábrica.
Broadcast: A BYD pretende se juntar a outras marcas chinesas com interesses em comum para levar demandas ao governo dentro de uma entidade?
Broadcast: Não. Nós não temos interesse nesse momento porque não sei qual é a capacidade de nacionalização dessas outras marcas. Então, nós trabalhamos individualmente. Nós decidimos investir no Brasil antes, apostamos e investimos no Brasil antes e vamos nos tornar um fabricante brasileiro antes. Não sei qual é o real interesse dos demais fabricantes, de qualquer nacionalidade, não só chinesa, de investir para ter a fabricação local. Por essa razão, nós trabalhamos de modo individual.
Broadcast: Também não há interesse em se filiar à Anfavea?
Baldy: Neste momento, não passa pela cabeça.
Broadcast: Mas não é uma tendência quando vocês tiverem um maior índice de nacionalização?
Baldy: Cada dia uma agonia. Temos que focar no nosso trabalho.
Broadcast: A BYD anunciou que vai contratar mais de 3 mil trabalhadores em Camaçari. Será aberto um novo turno de produção?
Baldy: Exatamente. Estamos abrindo o segundo turno. Temos 3,2 mil funcionários hoje em um turno. E já estamos contratando 3 mil para o segundo turno, que deve começar em no máximo em 60 dias.
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