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Themes ETFs lança ETFs da Vale, Petrobras e Nubank alavancados em duas vezes nas ações na Nasdaq

21 de novembro de 2025

Por Gabriel Cillo

São Paulo, 21/11/2025 – Themes ETFs, com representação da FlexFunds no Brasil, lançou ETFs (fundos de índice) da Vale, Petrobras e Nubank, todos alavancados em ações dessas três empresas negociadas na Nasdaq. São três fundos – um do Nubank, um da Vale e outro da Petrobras – que replicam duas vezes o desempenho diário de cada uma dessas ações listadas na bolsa de Nova York.

O ETF do Nubank foi lançado na última segunda-feira, dia 17, sob o nome NUG, enquanto os da Vale e da Petrobras estarão disponíveis no mercado em 12 de dezembro, identificados como VALG e PBRG, respectivamente. Ao todo, serão nove novos ETFs administrados pela gestora americana: Nubank (NUG), Vale (VALG), Petrobras (PBRG), Airbnb (ABNG), Spotify (SPOG), Okta (OKTG), Cloudflare (NETG), Newmont Corporation (NEMG), Teradyne (TERG) e Chipotle Mexican Grill (CMGG).

A Themes ETFs e a FlexFunds são empresas distintas dentro de um mesmo conglomerado, que também inclui a Leverage Shares. As três têm José Carlos González como proprietário, embora não componham uma holding formal. Cada uma atua em uma etapa específica da cadeia de produtos financeiros e, apesar de independentes, operam de forma complementar, o que permite ao grupo oferecer desde a estruturação até a distribuição de produtos financeiros complexos em diversos mercados globais.

O alto risco de ETFs alavancados

Os ETFs alavancados oferecem uma operação de curtíssimo prazo, considerando o reset automático ao final de cada pregão, podendo duplicar tanto os ganhos quanto as perdas, característica que potencializa significativamente os riscos.

“Os prejuízos estão sempre vinculados ao risco do ativo subjacente, e os aspectos são muito claros: há uma alavancagem de duas vezes o movimento desse ativo. Essa estratégia não se alinha ‘buy and hold’, devido aos vencimentos em prazos extremamente curtos”, explica o diretor regional Cone Sul da FlexFunds, Pablo Gegalian.

ETFs do Nubank, Vale e Petrobras

A escolha pelo ETF do Nubank baseia-se no reconhecimento da empresa como uma instituição em pleno desenvolvimento, tanto no mercado brasileiro quanto no latino-americano. Graças a essa credibilidade alcançada perante o mercado, seus ativos possuem alta liquidez – fator que facilita significativamente a criação desses tipos de veículos, de acordo com Gegalian.

“Conversei com o Andrés Kikuchi e com o Pedro Mota, do time de ETFs do Nubank, mas foi algo extraoficial, durante um evento em que nos encontramos. Mas não há qualquer obrigação formal; tanto que não estamos falando oficialmente com a Petrobras nem com a Vale”, comenta Wilson Gomes, gerente de Desenvolvimento de Negócios da FlexFunds.

No caso da Vale, uma das maiores produtoras de minério de ferro do mundo, e da Petrobras, empresa de porte equivalente no setor petrolífero, a motivação está por ambas possuírem grande profundidade de mercado. “Acreditamos que há uma forte demanda no mercado americano por ativos de alta rotação que permitam a traders e hedge funds assumir posições táticas”, destaca Gegalian.

Perfil do investidor em ETFs

Por se tratar de um ativo de oferta pública, não é possível identificar com precisão quem são os investidores ou de onde vêm as ordens de compra dos ETFs. No entanto, por ser um produto com reset diário, é fundamental dedicar atenção constante à carteira e à gestão do fundo. Assim, o perfil de quem investe em ETFs alavancados costuma estar alinhado a um nível elevado de conhecimento do mercado financeiro, afirma o diretor regional do Cone Sul da FlexFunds.

“O mercado americano é o nosso target, considerando sua grande profundidade global, que é uma das principais vantagens da oferta pública nos Estados Unidos. Ainda assim, acredito que o investidor brasileiro terá grande interesse em ter investimentos como esse, com estratégias de curto prazo”, diz Gegalian.

No Brasil ETFs alavancados ainda não são permitidos pela CVM, considerando que é um mercado menos profundo e menos líquido do que o americano, com caráter menor de sofisticação, de forma que produtos alavancados poderiam gerar distorções ou movimentos bruscos nos preços. Embora seja possível para investidores brasileiros comprarem ETFs que estão espelhados em ações de bolsas americanas.

Outros produtos semelhantes ao ETF

O Brasil é um país de oportunidades constantes para diversos tipos de investimento, por ser uma referência entre os mercados emergentes e possuir uma robustez financeira relevante, afirma Gegalian. “Com certeza teremos novos projetos ou ETFs com ativos brasileiros. Ainda não há uma data definida, mas acreditamos que esse momento vai chegar.”

O diretor regional Cone Sul da FlexFunds também comentou que estão sendo estudados ETFs mais voltados para uma estratégia de “buy and hold”, que permitiria aos investidores desenvolverem um planejamento a longo prazo. No entanto, ele ressalta que ainda não existe previsão para esses lançamentos, já que os produtos estão em fase de testes.

Contato: gabriel.cillo@estadao.com

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