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IBEVAR/FIA: Fim da escala 6×1 pode tirar até 0,32 ponto percnetual do PIB via impacto no varejo

26 de maio de 2026

Por Júlia Pestana

São Paulo, 26/05/2026 – O fim da escala 6×1 pode reduzir em até 0,32 ponto porcentual o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro apenas por meio dos impactos diretos sobre o varejo, segundo estudo divulgado pelo IBEVAR em parceria com a FIA Business School. Não estão contabilizados efeitos indiretos sobre fornecedores, logística e consumo.

De acordo com o levantamento, o varejo de bens, responsável por cerca de 8% do PIB do País, seria um dos setores mais afetados pela mudança devido à necessidade de manter operações funcionando ao longo de toda a semana, incluindo supermercados, farmácias e shoppings.

No cenário de implementação imediata da mudança, a perda de geração de riqueza do varejo variaria entre 3,6% e 6,1%, dependendo do segmento e do porte das empresas.

O maior impacto foi estimado para pequenas lojas de tecidos, vestuário e calçados, com queda de 6,1%, enquanto postos de combustíveis estruturados em rede apareceram entre os menos afetados, com recuo de 3,6%.

“O varejo não para. Quando o funcionário folga, alguém precisa ocupar o balcão”, afirmou o presidente do IBEVAR e professor da FIA Business School, Claudio Felisoni.

A pesquisa aponta que a redução da jornada elevaria custos trabalhistas e pressionaria margens historicamente estreitas no varejo físico. Com isso, parte dos custos poderia ser repassada ao consumidor.

Para as grandes redes, há uma válvula de escape que o pequeno comércio não tem: a automação. Supermercados já operam com dezenas de caixas de self-checkout, enquanto pequenos comerciantes enfrentariam mais dificuldades para investir em tecnologia e compensar o aumento dos custos.

Os pesquisadores também simularam um cenário de implementação gradual ao longo de dez anos. Nesse caso, o impacto sobre o PIB recuaria para algo entre 0,25 ponto porcentual e 0,31 ponto porcentual.

Mesmo em um cenário considerado otimista, com maior automação de lojas e centros de distribuição e uso ampliado de inteligência artificial nas operações, o estudo aponta que as perdas econômicas não desapareceriam, apenas seriam reduzidas ao longo do tempo.

Contato: julia.pestana@estadao.com

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