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BNDES/Luciene Machado: endividamento pode demandar nova equação financeira para o saneamento

15 de maio de 2026

Por Elisa Calmon

São Paulo, 15/05/2026 – O aumento do endividamento das empresas privadas de saneamento pode demandar uma nova equação financeira para os contratos do setor. A avaliação é da chefe de Departamento de Estruturação de Parcerias de Investimentos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciene Machado.

A executiva afirmou que a área de crédito do banco de fomento está “mergulhada em um raio-X do setor” para entender a capacidade das companhias de captar novos recursos. “Hoje, os projetos existem, os investimentos cresceram muito, mas os atores privados estão meio engargalados”, disse após o leilão de saneamento da Paraíba realizado nesta sexta-feira, 15.

Luciene destacou que o avanço dos investimentos após a aprovação do novo marco legal elevou a necessidade de capital, enquanto o retorno financeiro dos aportes ocorre em um horizonte mais longo, pressionando as dívidas das empresas. “Um desdobramento dessa percepção de endividamento é trabalhar na equação financeira, inclusive sob a ótica temporal dos contratos”, disse.

Ela afirmou ainda que o setor pode ter que se adaptar para atrair novos players, inclusive estrangeiros e grupos que hoje atuam em outros segmentos de infraestrutura. “Talvez as modelagens atuais não estejam hoje atrativas para esses tipos de investidores”, disse.

A executiva ponderou, contudo, que o setor continua atrativo por sua previsibilidade de receitas. “A pandemia mostrou que o saneamento apresentou baixa inadimplência mesmo em um cenário econômico adverso”, comentou.

Sobre a falta de competição no leilão da PPP de esgotamento sanitário da Paraíba, afirmou que a prioridade deve ser garantir que o vencedor tenha capacidade financeira de cumprir os investimentos previstos.

“Entre ter um leilão com muita gente com dificuldade depois de cumprir o compromisso, ou ter uma disputa com um único participante, mas que ainda tenha espaço para absorver os investimentos no balanço, é claro que o Estado vai preferir o segundo cenário”, finalizou.

Contato: elisa.ferreira@estadao.com

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