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8 de abril de 2026
Por Gabriel Azevedo
São Paulo, 08/04/2026 – A Justiça de Minas Gerais autorizou a recuperação judicial da Aliança Agrícola do Cerrado e suspendeu por 180 dias todas as cobranças contra a empresa, que acumula dívidas de R$ 1,16 bilhão com cerca de 1.000 credores. A sentença da juíza Claudiana Silva de Freitas, da 10ª Vara Cível de Uberlândia, dá ao grupo 60 dias para apresentar um plano de pagamento e marca o fim de meses de disputa judicial entre a empresa e os bancos, fundos e produtores rurais que tentavam recuperar seu dinheiro na Justiça antes de qualquer negociação coletiva.
Em março, a juíza concedeu proteção emergencial à empresa após concluir que o avanço simultâneo das cobranças poderia inviabilizar a negociação coletiva. Havia mais de 90 ações judiciais envolvendo soja, farelo, óleo e contas bancárias do grupo, além de cerca de R$ 380 milhões retidos em garantias bancárias. “A liberação imediata desses valores em favor de credores individuais, neste estágio embrionário, esvaziaria o caixa das empresas e inviabilizaria o cumprimento das obrigações operacionais indispensáveis para a retomada das atividades industriais”, escreveu a magistrada na ocasião. Antes de confirmar o processamento da recuperação judicial, porém, a juíza determinou uma inspeção nas unidades do grupo para verificar se a empresa permanecia em funcionamento.
A resposta veio no laudo produzido pelo auxiliar do juízo, que visitou as três unidades do grupo em Uberlândia (MG), Bataguassu (MS) e São Joaquim da Barra (SP). O perito atestou que as plantas estão operando e que o grupo firmou contrato de tolling com a ADM do Brasil. Nesse modelo, a ADM fornece a soja e a Aliança Agrícola faz o esmagamento, recebendo pelo serviço industrial sem precisar comprar o grão. Na decisão, a juíza considerou que essa estrutura sustenta a retomada operacional e embasa a conversão da proteção concedida em março no deferimento do processamento da recuperação judicial.
O laudo também afastou as suspeitas de alguns credores. O Multiplike, fundo de investimento que figura no processo, havia apresentado recursos alegando que a empresa estava usando a recuperação judicial como escudo para desviar patrimônio. A juíza rejeitou o argumento e afirmou que o perito não encontrou indícios de fraude, transferência irregular de ativos ou manipulação da estrutura societária.
A recuperação judicial abrange também a ATAC Logística e a Aliagro Trading, empresas do mesmo grupo, e todas serão tratadas como uma unidade só no processo, modelo chamado de consolidação substancial. A justificativa é que as três empresas funcionam como uma só na prática: compartilham sede, funcionários e contabilidade, sendo que a ATAC e a Aliagro não têm sequer empregados próprios. Todas são controladas pelo grupo russo Sodrugestvo por meio de uma holding luxemburguesa.
Os maiores credores são o Banco do Brasil, com cerca de R$ 135 milhões em exposição, a Ecoagro Participações, com R$ 110,6 milhões, o Macquarie Bank, com R$ 104 milhões, o Santander, com R$ 95,6 milhões, e a XP Investimentos, com R$ 80 milhões. A lista inclui também produtores rurais, cooperativas e tradings com contratos da safra 2025/26. Fiadores e avalistas das dívidas não estão protegidos pela decisão e seguem sujeitos a cobranças individuais.
A crise veio a público em 13 de janeiro, quando a empresa deixou de pagar os juros mensais de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) emitidos em 2023, operação que havia captado R$ 147 milhões no mercado. A securitizadora Ecoagro executou as garantias e quitou os investidores em 27 de janeiro, no valor de R$ 114,3 milhões. No dia seguinte, a Aliança Agrícola demitiu 344 trabalhadores e fechou as unidades de Bataguassu e São Joaquim da Barra, com capacidade combinada de processar 736 mil toneladas de soja por ano.
Em fevereiro, a mesma juíza havia negado o primeiro pedido de proteção da empresa, por entender que não havia atividade em funcionamento nem perspectiva real de recuperação. Em março, antes da tutela ser concedida, a companhia informou ao Broadcast Agro que já havia realizado cerca de 200 recontratações para retomar as operações nas duas plantas. Em publicação nas redes sociais, a empresa atribuiu a crise à queda dos preços da soja, à volatilidade do mercado de trading e ao aumento dos custos financeiros, e descreveu o contrato de industrialização com a ADM do Brasil como uma das principais estratégias de reestruturação.
Contato: gabriel.azevedo@estadao.com
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