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30 de março de 2026
Por Ricardo Corrêa, do Estadão
Brasília, 30/03/2026 – Favorito para vencer a disputa pela reeleição ao governo de São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), viu uma distância menor do que ele gostaria para Fernando Haddad (PT) no primeiro turno na pesquisa Atlas/Estadão. Contudo, há um fator que tende a ser decisivo sobre as chances de ele vencer ainda no primeiro turno, como esperam seus aliados. É o futuro da candidatura do Missão no Estado, que se tornou um fiel da balança sobretudo por sua força entre os mais jovens.
De acordo com o levantamento publicado nesta segunda-feira, 30, no eleitorado geral, Tarcísio soma 49,1% das intenções de voto, contra 42,6% de Haddad e 5% de Kim Kataguiri, o nome do Missão. Se considerarmos apenas os votos válidos, ou seja, se excluirmos bancos e nulos, o governador teria hoje 50,12%, no limite para vencer ainda no primeiro turno.
Como mostrado pela pesquisa, o eleitor de Kim migra praticamente todo para Tarcísio no segundo turno, o que faz com que a vantagem sobre Haddad cresça para dez pontos na segunda etapa. Portanto, se o Missão acabar largando a candidatura ou optar por um nome apenas para cumprir tabela, a vida de Tarcísio fica mais tranquila já no primeiro turno. Não seria surpreendente.
O próprio Kim Kataguiri já disse que só em junho vai decidir se será mesmo candidato ao governo ou se concorrerá à reeleição à Câmara. Ele pondera a força de Tarcísio e os objetivos do partido. Por um lado, lançar seu nome garantiria um palanque para Renan Santos, o nome da sigla à Presidência da República, e daria evidência ao ainda pouco conhecido número do Missão. Por outro, seria jogar fora uma reeleição garantida de um deputado com potencial para ajudar a puxar colegas para a Câmara, o que poderia atrapalhar o crescimento da nova sigla.
O Movimento Brasil Livre, movimento que criou o Missão, já foi aliado do governador, que enfrentou o bolsonarismo para manter o apoio do grupo mesmo com as críticas de Kim, Renan e companhia à família de seu padrinho político. Isso mudou em agosto de 2025, quando o MBL rompeu com Tarcísio e deixou a vice-liderança do governo na Alesp. Na época, o deputado estadual Guto Zacarias acusou Tarcísio de patrocinar projetos que ampliam privilégios do funcionalismo público.
Se mantiver a candidatura e levar ela a sério, o Missão tende a dar trabalho entre os mais jovens, tirando votos que podem ser preciosos para o governador. Hoje, por exemplo, Kim Kataguiri alcança 23,7% entre aqueles com 16 a 24 anos. Não por acaso, é a faixa em que Tarcísio tem o pior resultado, perdendo para Fernando Haddad, que soma 40,5%.
Ocorre que, se a candidatura não crescer rápido e acabar ficando configurado que ela só ajuda Haddad e Lula a levarem a disputa para o segundo turno, o Missão pode ser obrigado a pensar melhor. Certamente haverá pressão entre os liberais e no meio empresarial para que o MBL não atrase as chances de Tarcísio, que tem o apoio maciço desses setores. E isso, em tese, abriria caminho para uma vitória de Tarcísio ainda no primeiro turno, considerando o teto de Haddad e a transferência clara de votos à direita.
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