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12 de junho de 2026
Por Tânia Rabello
São Paulo, 12/06/2026 – As exportações brasileiras de café registraram leve recuperação em maio, impulsionadas pela entrada da nova safra, mas o setor ainda acumula resultados inferiores aos do ano passado tanto em volume quanto em receita. Dados divulgados ontem (11) pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) mostram que o País embarcou 3,089 milhões de sacas de 60 quilos no mês passado, alta de 3,6% em relação a maio de 2025. Apesar do avanço nos embarques, a receita cambial caiu 16% na mesma comparação, somando US$ 1,050 bilhão.
No acumulado dos 11 primeiros meses da safra 2025/26 (julho de 2025 a maio de 2026), o Brasil exportou 35,373 milhões de sacas, volume 17,7% inferior ao registrado em igual período da temporada anterior. A receita totalizou US$ 13,612 bilhões, queda de 0,7%.
Considerando apenas o ano civil, as exportações entre janeiro e maio somaram 14,745 milhões de sacas, retração de 12,4% em relação a igual intervalo de 2025. O faturamento recuou 14,6%, para US$ 5,552 bilhões. Segundo o presidente do Cecafé, Márcio Ferreira, em nota da entidade, o desempenho está “dentro das expectativas do setor diante da transição entre a entressafra e a chegada da nova colheita”. “A leve alta em maio reflete a entrada de cafés colhidos já neste ano, principalmente os canéforas, que são nossos conilon e robusta. Esse movimento deverá ser observado também com os arábicas nos próximos meses”, afirmou.
Ferreira destacou que a queda acumulada em 2026 é resultado de uma safra menor e do elevado volume exportado em 2025. Para o segundo semestre, entretanto, a expectativa é de recuperação dos embarques, sustentada por uma colheita considerada recorde. “O clima foi favorável na maior parte do cinturão cafeeiro, permitindo uma safra com excelente qualidade, alta produtividade e bom volume. Em condições normais, deveremos observar crescimento das exportações, principalmente no segundo semestre”, disse.
O executivo alertou, porém, que fatores externos e gargalos logísticos continuam preocupando o setor. Entre eles estão os impactos da guerra no Oriente Médio sobre os fretes marítimos, os problemas de infraestrutura portuária no Brasil e as incertezas em torno da política comercial dos Estados Unidos.
A Alemanha permaneceu como principal destino do café brasileiro nos cinco primeiros meses de 2026, com a compra de 1,911 milhão de sacas, equivalente a 13% das exportações totais, embora com recuo de 10% ante igual período do ano passado. Os Estados Unidos aparecem em segundo lugar, com 1,771 milhão de sacas, mas registraram uma das maiores quedas entre os principais compradores, de 38,4% na comparação anual. Na sequência estão Itália, Bélgica e Japão.
O café arábica manteve a liderança das exportações brasileiras, com 11,126 milhões de sacas embarcadas entre janeiro e maio, representando 75,5% do total. O volume, contudo, foi 21,3% menor que o registrado no mesmo período de 2025.
Já os cafés canéforas (conilon e robusta) seguiram em forte expansão. Os embarques alcançaram 1,891 milhão de sacas, crescimento de 86,5% na comparação anual, respondendo por 12,8% das exportações totais. O café solúvel representou 11,6% dos embarques, com 1,707 milhão de sacas exportadas.
Os cafés diferenciados – que incluem produtos de qualidade superior, certificados ou especiais – responderam por 17,6% das exportações brasileiras no período, com 2,59 milhões de sacas embarcadas. O volume representa queda de 30,1% frente aos cinco primeiros meses de 2025. A receita gerada por esse segmento somou US$ 1,124 bilhão, recuo de 31,1% na comparação anual, embora ainda represente 20,2% do faturamento total das exportações brasileiras de café.
O Porto de Santos concentrou 72,8% das exportações brasileiras de café entre janeiro e maio, com 10,728 milhões de sacas embarcadas. O complexo portuário do Rio de Janeiro respondeu por 23,2% do total, enquanto o Porto de Paranaguá participou com 1,1%.
Contato: tania.rabello@estadao.com
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