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6 de junho de 2026
A Raízen formalizou uma nova etapa de seu processo de recuperação extrajudicial ao protocolar o Plano de Recuperação Extrajudicial junto à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. Isso ocorreu após obter a adesão de credores que representam 75,45% dos créditos financeiros e quirografários abrangidos pela reestruturação.
O plano envolve um passivo de R$ 64,7 bilhões e prevê aporte de capital pelos acionistas, conversão de parte da dívida em ações, reperfilamento do saldo remanescente e uma reorganização societária que inclui a separação dos negócios de energia e combustíveis.
Segundo a companhia, o porcentual de adesão foi alcançado antes do prazo de 90 dias previsto na legislação para esse tipo de processo. O plano recebeu apoio de detentores de títulos internacionais, títulos locais e instituições financeiras.
Entre as principais medidas propostas está um aumento de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell. O plano também prevê um aporte adicional de R$ 500 milhões pela Aguassanta Participações, da família de Rubens Ometto, controlador da Cosan, caso a empresa opte por aderir à operação.
A reestruturação contempla ainda a conversão de 45% dos créditos sujeitos ao processo em participação acionária da companhia. Os 55% restantes serão substituídos, refinanciados ou aditados por novos instrumentos de dívida, com condições alinhadas à capacidade de geração de caixa da empresa.
Em fato relevante divulgado ao mercado, a Raízen afirmou que o plano busca “equacionar as necessidades de liquidez de curto e médio prazo e estabelecer uma estrutura de capital sustentável no longo prazo”. A companhia acrescentou que espera “reduzir significativamente sua alavancagem, preservar a continuidade operacional e assegurar tratamento equitativo aos credores”.
Como parte da reorganização, a empresa prevê concluir até o fim de 2027 a segregação de suas atividades em duas estruturas independentes. A futura Raízen Energia reunirá os negócios de etanol, açúcar e bioenergia, enquanto a Raízen Combustíveis ficará responsável pela distribuição de combustíveis e lubrificantes licenciados da marca Shell.
A proposta também inclui medidas adicionais, como segregação de ativos, avanço do programa de desinvestimentos e reorganizações societárias. Há ainda opções de pagamento com deságio para determinados credores e um mecanismo de liquidação antecipada em dinheiro para créditos de menor valor, limitado a aproximadamente R$ 150 milhões.
No campo da governança, a atual administração será mantida durante a implementação do plano. O CFO da companhia, Lorival Nogueira Luz Jr., acumulará a função de Chief Restructuring Officer (CRO), tornando-se o principal responsável pela execução da reestruturação financeira e operacional. O atual Conselho de Administração permanecerá inalterado até março de 2027, quando deverá ocorrer a transição para uma nova composição com sete membros.
“Seguimos comprometidos com a continuidade da operação dos nossos negócios, com a disciplina de execução dos planos e com a preparação da companhia para uma nova etapa de crescimento e criação de valor no longo prazo”, afirmou o CEO da Raízen, Nelson Gomes, em nota.
O executivo também destacou que “a formalização deste acordo representa um avanço importante na reorganização operacional e financeira, e futuramente, na composição societária da Raízen”. Segundo ele, a companhia está “construindo uma estrutura mais simples, mais eficiente e mais aderente à geração de valor dos nossos negócios”.
O plano agora seguirá para análise e eventual homologação judicial. A legislação prevê um prazo de 30 dias para apresentação de objeções por parte dos credores antes da decisão do juízo responsável pelo processo.
A Raízen ressaltou que a recuperação extrajudicial possui escopo exclusivamente financeiro e não abrange obrigações com clientes, fornecedores, revendedores e demais parceiros comerciais, que continuarão sendo cumpridas normalmente.
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