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Agricultura/De Paula: plano safra 2026/27 de R$ 550 bi depende de equalização com Fazenda

3 de junho de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 03/06/2026 – O ministro da Agricultura, André de Paula, disse que a negociação com o Ministério da Fazenda sobre a capacidade do Tesouro Nacional de equalizar taxas de juros será decisiva para o Plano Safra 2026/27 ter volume próximo de R$ 550 bilhões e custo menor ao produtor rural. “Nós estamos trabalhando isso com o Ministério da Fazenda”, afirmou ele, ontem (3), antes de participar de uma reunião do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Segundo ele, a pasta defende juros de um dígito nas linhas do próximo plano, mas a composição final dependerá do espaço fiscal para subsidiar parte dessas taxas.

A equalização é o mecanismo pelo qual o Tesouro cobre a diferença entre a taxa paga pelo produtor nas linhas oficiais e o custo de captação dos bancos. É isso que permite ao governo oferecer crédito rural com juros abaixo do mercado. Sem orçamento suficiente para essa conta, um Plano Safra maior não se traduz necessariamente em crédito mais barato ou acessível.

Questionado sobre o equilíbrio entre recursos livres e controlados e sobre a capacidade do Tesouro de bancar a equalização, André Paula disse que o tema é tratado de forma transversal dentro do governo. “Essa é uma questão que, apesar de dizer respeito direto ao Ministério da Agricultura, ao agro do Brasil, é trabalhada de forma transversal”, afirmou. Segundo ele, as reuniões com a Fazenda ocorrem semanalmente e as discussões também envolvem o Congresso Nacional e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA).

A expectativa inicial é anunciar o novo Plano Safra em 1º de julho, embora o ministro tenha tratado a data com cautela. “Essa é uma pré-agenda. A gente sabe como isso funciona”, disse.

Para o próximo ciclo, André Paula afirmou que o governo trabalha com a hipótese de elevar em cerca de 10% o volume destinado à agricultura empresarial. Na safra 2025/26, foram anunciados R$ 516,2 bilhões para médios produtores, demais produtores, cooperativas e CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório. “Estamos trabalhando com alguns objetivos. O primeiro deles é fazer um Plano Safra robusto do ponto de vista dos números”, afirmou. “Trabalhar com uma hipótese de R$ 550 bilhões, acho que é bem razoável, mas também com foco na questão dos juros.”

O ministro disse que o tamanho do plano perde força se as taxas não forem compatíveis com a situação financeira dos produtores. “É preciso que os juros possam caber no bolso dos produtores rurais”, pontuou. “Por mais que a gente possa entender a importância de se anunciar números importantes que representam um esforço grande e a percepção da importância que o Plano Safra tem para a agricultura, se a gente não tem juros compatíveis com a realidade do produtor rural, a eficácia da medida fica comprometida”, complementou.

André Paula afirmou que o Ministério da Agricultura tem “legitimidade” e “obrigação” de defender os interesses do setor nas negociações internas, mas reconheceu que a decisão final caberá ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Vou lutar até o último momento para que seja a melhor posição possível para o setor mas, ao final, a decisão cabe ao presidente Lula”, disse. “Eu tenho certeza absoluta que ele é muito sensível ao momento de desafio que nós enfrentamos. Todos os sinais são positivos. Eu estou otimista que isso possa acontecer.”

O seguro rural e a estruturação de um fundo de garantia também estão na pauta do próximo Plano Safra, afirmou o ministro. Ele associou essas frentes ao aumento dos riscos no campo, em um cenário de clima incerto e endividamento dos produtores. “Quando eu disse a você que nós estamos enfrentando um momento particularmente desafiador, é porque a agricultura em si já é desafiadora”, afirmou.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

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