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8 de junho de 2026
Por Isadora Duarte
Brasília, 08/06/2026 – A Bahia Farm Show, maior feira agropecuária do Nordeste que começa hoje em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, tenta contornar a retração do agronegócio. Juros elevados, endividamento crescente do produtor e oferta de crédito escassa devem reduzir o apetite dos produtores por investimentos. “O agronegócio sempre espera oportunidades de boas taxas de juros para fazer investimentos em novas áreas, renovação de frota e armazenagem. Novos investimentos vão depender também da disponibilidade de recursos pelos agentes financeiros, mas acreditamos que haverá boas oportunidades de negócios”, afirmou o presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Moisés Schmidt, a jornalistas. A feira é realizada pela Aiba.
O cenário que se repete na feira foi observado nas demais feiras agropecuárias realizadas neste ano, que antecederam à Bahia Farm Show. “O momento não é favorável à expansão de investimentos. Os preços das commodities não animam. Neste cenário, é natural que produtores freiem novos aportes”, observou o coordenador da Bahia Farm Show 2026, Alan Malinski, a jornalistas. “Viemos de um ano agrícola excelente, mas juros elevados e crédito limitado diminuem o ritmo dos investimentos. O mercado não está tão aquecido como em outros anos”, acrescentou Malinski.
Em contrapartida, a região registra safra recorde de grãos e fibras pelo terceiro ano consecutivo. Schmidt lembra que o oeste baiano é conhecido pelas elevadas produtividades das lavouras, acima da média nacional, devido ao uso intensivo de tecnologia. A área total plantada no ciclo 2025/26 foi de 3,02 milhões de hectares, sendo 67% cultivado com soja, e produção total de grãos de 14,60 milhões de toneladas, segundo a Aiba.
A região deverá fechar a safra de soja com média de 71 sacas por hectare, acima da média nacional, estimada entre 61 sacas e 62 sacas por hectare, em uma área próxima de 2,2 milhões de hectares cultivados. No milho, o rendimento médio é estimado em 187 sacas por hectare, enquanto as lavouras de algodão rendem cerca de 2 mil quilos por hectare de pluma. “Essa alta produtividade faz os produtores se manterem dentro da atividade. A pecuária também tem mostrado bons números. Esperamos que esses sinais de produtividade da região levem à necessidade de troca de maquinários e tecnologias pelos produtores”, pontuou Schmidt.
A cerimônia de abertura do evento nesta segunda-feira terá a participação do vice-presidente, Geraldo Alckmin, do ministro da Agricultura, André de Paula, e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Há expectativa dos organizadores da feira por anúncios do governo federal de novas linhas de crédito e financiamento para máquinas e equipamentos e silos.
O evento também ocorre em momento de definição pelo Executivo do Plano Safra 2026/27. “É um tema sempre presente na feira, com sugestões do setor produtivo local à política de crédito”, apontou Schmidt. Além do crédito tradicional, há crescente utilização pelos produtores da região, conhecida pela vocação exportadora e por concentrar grandes produtores, de linhas dolarizadas, observa Schmidt.
A expectativa dos organizadores da feira é de estabilidade ante ao desempenho do ano passado, quando o valor gerado de negócios não foi divulgado. Em 2024, foram movimentados R$ 10,949 bilhões em vendas.
A organização aposta também na ampliação do número de expositores para ampliar a geração de negócios. Serão 550 empresas expositoras. A área do parque foi incrementada em 35%, para 380 mil metros quadrados. A edição deste ano, que se estende até o próximo sábado, comemora os 20 anos da feira, com previsão de receber 162 mil pessoas. A feira terá, pela primeira vez, área dedicada à pecuária com a realização de leilões de animais.
Pleitos
Entre as demandas que serão apresentadas pelo agronegócio baiano ao governo federal está a inclusão de produtores adimplentes na renegociação das dívidas rurais, em discussão no Congresso Nacional, e não apenas os inadimplentes. “O momento atual exige um debate mais amplo sobre renegociação, alongamento de dívidas e prazos de carência. Há necessidade de discutir renegociação ou pelo menos alongamento, ou prazo de carência, de uma forma que não se discuta somente com inadimplentes, mas com adimplentes também”, afirmou Schmidt. Segundo ele, produtores que permanecem adimplentes enfrentam o mesmo cenário de dificuldades, após muitos terem ampliado investimentos em um período de forte rentabilidade e agora enfrentarem preços mais baixos para a soja e custos elevados de produção. “Precisamos desse alinhamento com o governo para passar este momento de turbulência e retomar o ânimo do produtor. Se o produtor adimplente não entrar na renegociação agora, pode ficar inadimplente depois”, alertou.
Para Schmidt, o problema decorre tanto de questões climáticas quanto da queda nos preços agrícolas, que achataram as margens dos produtores rurais, combinadas aos juros elevados. “O adimplente está sofrendo da mesma forma que o inadimplente quanto à pressão de custo de produção e queda dos preços das commodities. É preciso que sejam tratados de forma igual”, defendeu.
O agronegócio baiano também vai aproveitar a participação do governo federal e do governador estadual Jerônimo Rodrigues (PT) para reforçar os pleitos quanto a modais logísticos da região, sobretudo quanto à duplicação da BR242, uma das principais rotas para o escoamento de grãos aos principais portos do País, e quanto à finalização da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fol). que deve ligar Ilhéus a Figueirópolis (TO). “A logística tira a competitividade do agronegócio. Entendemos que a Fiol está 70% concluída e necessita de maior empenho, pois ela é extremamente importante junto à Fico e à Ferrogrão para as exportações brasileiras”, defendeu Schmidt.
Contato: isadora.duarte@estadao.com
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