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AP Exata: presença de políticos na Marcha para Jesus domina menções negativas nas redes sociais

5 de junho de 2026

Por Pedro Augusto Figueiredo, do Estadão

São Paulo, 05/06/2026 – A Marcha para Jesus, evento realizado na quinta-feira 4, teve 53,4% de menções negativas nas redes sociais, segundo levantamento da AP Exata. A análise da consultoria aponta que a rejeição se concentrou no que foi visto como uso eleitoral do evento religioso e protagonismo concedido a lideranças políticas.

Estiveram presentes e discursaram os pré-candidatos a presidente Flávio Bolsonaro (PL) e Ronaldo Caiado (PSD), além do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). O ministro-chefe da Advocacia-Geral do governo Lula, Jorge Messias, também participou, mas não discursou.

Do total de menções, 28,9% foram positivas e 17,7% neutras. A consultoria analisou 200 mil mensagens publicadas no Instagram e no X entre os dias 3 e 5 de junho – ou seja, o levantamento teve início um dia antes do evento ocorrer.

“Os dados mostram que houve um incômodo do público devido ao aproveitamento político de um evento voltado à fé cristã”, afirmou Sérgio Denicoli, CEO da AP Exata e colunista do Estadão.

O tema mais mencionado em relação à Marcha foi o uso eleitoral do evento, com 30,6% das menções. Em seguida, aparece Flávio, com 24,8%.

As menções ao pré-candidato do PL foram impulsionadas pelo discurso de que o Brasil vive uma “guerra espiritual”. Em cima do trio, Flávio também afirmou que a Marcha era a principal resposta ao “mundo do mal”, que segundo ele será “expulso do governo do Brasil neste ano”.

Também houve a avaliação nas redes de que ele buscou ocupar o ambiente evangélico diante do desgaste político após a revelação do áudio em que pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro (PL) e a visita a Donald Trump dias antes do governo dos EUA anunciar que cogita aplicar novas tarifas às exportações brasileiras.

Representante de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no evento, o advogado-geral do União respondeu por 14,9% das menções ao evento. A repercussão foi puxada pela declaração de que “a mesa de Jesus é para judeus e gentios” e que até Judas se sentou à mesa de Cristo. Apesar de não ter discursado, ele foi entrevistado pelo canal que transmitia o evento.

Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes tiveram 8,1% das menções somadas. Segundo a AP Exatas, o governador foi citado como liderança política bem vista pelo eleitorado conservador e religioso, mas também recebeu críticas por dividir o palanque com Flávio – a censura também foi estendida ao prefeito de São Paulo.

Além da questão política, 10,7% das menções foram sobre quantas pessoas compareceram ao evento. Inicialmente, a organização falava em 2 milhões de pessoas, mas de acordo com o Monitor do Debate Político da USP/Cebrap e a ONG More in Common, 33,8 mil pessoas participaram da Marcha.

Como a margem de erro é de 12%, havia entre 29,8 mil e 37,8 mil participantes às 10h20, horário de pico entre a concentração e o deslocamento.

Ainda segundo o levantamento, a dimensão religiosa teve participação reduzida nas conversas nas redes: fé e a música gospel – foram vários shows ao longo da caminhada – representaram 6,9% das menções.

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