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20 de maio de 2026
Por Juliana Garçon
Rio, 20/05/2026 – O advogado Otto Lobo, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), disse há pouco que jamais houve benefício ao Master no caso da Oferta Pública de Ações da Ambipar. “Jamais houve qualquer benefício ao Master no caso Ambipar”, disse, durante sabatina na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
Lobo foi questionado em relação a decisões tomadas enquanto era presidente interino da autarquia. Num caso, tomou decisão contra parecer da área técnica da CVM que acusava os empresários Nelson Tanure e Tércio Borlenghi Júnior e o banco Master de ação orquestrada para elevar o preço das ações da Ambipar.
Lobo destacou que a reguladora recusou por quatro vezes as propostas de termo de compromisso de Daniel Vorcaro, “inclusive contrariando a área técnica”. O advogado destacou que o Tribunal de Contas da União (TCU) analisou e aprovou os procedimentos da autarquia no caso. “O TCU decidiu que as decisões tomadas no caso Ambipar estavam corretas.” Lobo lembrou ainda que a decisão foi unânime no Colegiado.
O advogado questionou a proposta de OPA, enfatizando que ninguém se apresentou para defender a operação. “Após 10 meses, nenhum advogado, parecerista ou minoritário se apresentou para defender essa OPA”, frisou, indicando que o assunto prosperou mais na mídia que entre interessados.
Lobo foi diretor e presidente interino da CVM, posto que assumiu após a renúncia do então presidente, João Pedro Nascimento, em julho de 2025. Seu mandato terminou em dezembro de 2025.
Em sua fala de abertura, Lobo se comprometeu a voltar à CAE para acompanhar e contribuir não só com aspectos da regulação, mas também na elaboração de projetos de lei em andamento. O advogado elogiou a pauta regulatória, o corpo técnico da CVM e a gestão de João Accioly como presidente interino.
O advogado apontou como suas diretrizes o fortalecimento da proteção ao investidor, o estímulo ao financiamento à economia real – com atenção especial às pequenas e médias empresas – e a inovação com responsabilidade. Também indicou um processo de alinhamento das regras e práticas no Brasil a padrões globais.
Lobo sofreu oposição na CAE. O senador Eduardo Girão (Novo-CE) enfatizou que a indicação de Lobo era “inoportuna para este momento”. Também fez uma série de questionamentos sobre casos controversos, como um processo no qual Lobo decidiu contra parecer da área técnica da CVM, que acusava os empresários Nelson Tanure e Tércio Borlenghi Júnior e o banco Master de ação orquestrada para elevar o preço das ações da Ambipar.
Contato: juliana.garcon@estadao.com
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