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Exclusivo: Livelo aposta em segmento de empresas para dobrar receitas em três anos

23 de março de 2026

Por André Marinho

São Paulo – A Livelo, empresa de fidelidade controlada por Bradesco e Banco do Brasil através da holding EloPar, está em nova fase de expansão, após dobrar o faturamento entre 2022 e 2025. A meta agora é voltar a duplicar as receitas e atingir um valor de mercado de R$ 11 bilhões até 2029, com foco no crescimento da vertical voltada para varejistas e outras companhias (B2B), a Livelo Empresas.

O grupo, que tem 58 milhões de clientes, vem trabalhando para diversificar as operações para além dos bancos acionistas com o fechamento de novas parcerias comerciais. Como resultado da estratégia, o segmento B2B transaciona cerca de R$ 15 bilhões por ano e já representa 20% do faturamento da Livelo.

“A participação do faturamento fora dos bancos era de 44% em 2021 e fechou 2025 em 62%. Nossa meta é levar esse número a 75%”, afirmou o CEO André Fehlauer, em entrevista à Broadcast. “E a vertical de empresas traz a tração de que precisamos para fazer isso acontecer”, acrescentou.

Hoje, 26 bancos oferecem a Livelo como uma opção de transferência ou acúmulo de pontos. Na outra ponta, o programa está conectado a mais de 600 parceiros, que incluem grandes varejistas como Amazon, Mercado Livre, Magalu e Casas Bahia. Um dos principais motores de crescimento, nos últimos meses, é a parceria com a Uber, que permite ganho de pontos em viagens realizadas pela plataforma.

Depois de alcançar presença em 85% do e-commerce brasileiro, a Livelo agora quer ampliar a participação no varejo físico, que ainda representa cerca de 90% do volume de negócios do consumo. Atualmente, os pontos já podem ser usados para compra em redes como Pão de Açúcar, Extra, Drogasil e Droga Raia. Mas a empresa quer ampliar a atuação para além do resgate. “Temos desenvolvido ferramentas e soluções para o varejo resolver os problemas que têm, por exemplo, para atrair mais pessoas à loja”, disse Fehlauer.

Como parte dessa estratégia, a Livelo desenvolveu uma solução de “gamificação” B2B, com objetivo de mobilizar canais de venda, parceiros comerciais, revendas e equipes internas. Pelo sistema, as empresas podem transformar metas comerciais, treinamentos e desafios de performance que envolvem níveis de progressão e recompensas integradas ao programa de pontos.

As companhias definem quais comportamentos querem incentivar – um número específico de compras, por exemplo – e qual recompensa será dada. O modelo permite que haja criação de campanhas personalizadas, que ajudam a elevar o engajamento e a retenção dos clientes. “O varejista não necessariamente que dar pontos – ele pode dar um voucher para a própria loja, um desconto, gift card”, cita o CEO. “Já conseguimos fazer isso de forma mais rápida e sofisticada”.

Otimismo

Com a Livelo Empresas, a empresa busca alavancas para assegurar um negócio resiliente aos ciclos econômicos. O segmento de programa de pontos está diretamente vinculado ao comportamento do consumo, do crédito e do turismo, por conta da associação histórica com a venda de passagens aéreas. Por outro lado, o grupo entende que ainda tem mercado a conquistar, já que uma parte da população ainda não conhece o setor.

Para Fehlauer, 2026 tende a ser “desafiador” para o mercado no geral, com muitos feriados, eleições e Copa do Mundo. No entanto, o executivo afirma que os primeiros dados do ano têm sido positivos. “Estamos vendo um crescimento de 50% no número de clientes acumulando pontos nos dois primeiros meses do ano, na comparação com janeiro e fevereiro do ano passado”, comentou.

Contato: andre.marinho@estadao.com

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