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Fecombustíveis/James Thorp Neto: Diversidade de preços no País faz postos de vilões

20 de março de 2026

Por Denise Luna

Rio, 20/03/2026 – O Brasil não tem apenas um preço nacional para o diesel e para a gasolina, por isso é injusto fazer dos postos de abastecimento os vilões da crise do petróleo, disse à Broadcast o presidente da Fecombustíveis, James Thorp Neto. Segundo ele, a atuação mais firme do governo na fiscalização do mercado vai ajudar a mudar essa imagem. “Quanto mais transparência melhor”, avalia.

Thorp Neto explica que a Petrobras não é mais a única a ditar os preços dos combustíveis, apesar de ter uma grande participação no mercado (60%). Atualmente, o preço nacional é formado pelo preço da Petrobras, importações, refinarias privadas e os preços dos leilões da Petrobras, que nesta semana atingiram ágios expressivos, até serem cancelados.

“A gente está sendo crucificado. Porque a gente é o último elo da cadeia, que tem contato com o consumidor. Mas é a refinaria privada que aumenta, o preço do leilão da Petrobras que aumenta, é o importador que traz mais caro”, diz. Para ele, isso ajuda a explicar por que há aumentos nas bombas mesmo quando se afirma que a Petrobras não reajustou valores.

Somente em março, a Refinaria de Mataripe, que tem cerca de 14% do mercado, aumentou o preço do diesel em 71,3% e a gasolina 45,3%. O aumento do diesel da Petrobras este mês, de 11,6%, veio após 312 dias de congelamento.

O executivo afirma que o cenário é crítico e precisa ser analisado antes de se atribuir “algum tipo de irregularidade” aos postos, e diz que a escalada de custos tem relação com um problema “mundial”, agravado por um “cenário de guerra”.

Na avaliação de Thorp Neto, o consumidor tende a responsabilizar o posto por ser “o último mesmo da cadeia”, com contato direto com o público, mas que, apesar de complexo, o setor é transparente, com dados públicos sobre reajustes em refinarias privadas e biocombustíveis.

Abastecimento

Sobre o abastecimento, ele diz que há “restrição de produto”, mas “por enquanto” não há relatos de falta generalizada. O problema, destaca, aparece mais nos postos de “bandeira branca”, que não têm contrato de suprimento e negociam diariamente com distribuidoras. Em momentos de instabilidade, esses estabelecimentos ficam mais expostos a oscilações de preço e a dificuldades de entrega.

Ele também menciona cautela na distribuição diante de especulações sobre desabastecimento, o que elevaria pedidos e tiraria as entregas “da curva” normal. Ele evita fazer projeções sobre os próximos meses e diz que o mercado está “imprevisível”, com mudanças rápidas entre a cotação vista na tela e o valor efetivo na nota fiscal.

Para tentar organizar o mercado, Thorp Neto apoia as operações da Força-Tarefa do governo que reúne a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis(ANP), Secretaria Nacional do Consumidor(Senacon/MJSP) e Polícia Federal. Entre outras medidas, a ANP mandou a Petrobras retomar imediatamente os leilões de combustíveis para aumentar a oferta.

“A gente tinha relatos das distribuidoras com insegurança, sem saber porque não estava tendo mais previsão de leilão. Essa determinação da ANP eu acho que tem tudo para ajudar muito o mercado, e também para estoques, importação…vai ter que informar tudo agora. Mais controle, principalmente num momento delicado como esse. Quanto mais transparência tiver, melhor para todo mundo”, afirma.

contato:denise.luna@estadao.com

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