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S&P rebaixa rating da Raízen de BBB- para CCC+, com observação negativa

9 de fevereiro de 2026

Por Talita Nascimento

São Paulo, 09/02/2026 – A S&P Global rebaixou o rating da Raízen de BBB- para CCC+ e colocou a nota em observação negativa, o que indica que um novo downgrade ainda pode ocorrer.

O gatilho da classificadora para a ação de rating foi o anúncio da Raízen de contratação de assessores para estudar alternativas para fortalecimento de capital. Na sexta-feira, a Broadcast apurou que esses escritórios são o Pinheiro Neto e Clearly.

A companhia soma uma dívida líquida de mais de R$ 50 bilhões (US$ 9,5 bilhões), com alavancagem de 5,1 vezes (dívida líquida sobre o resultado operacional dos últimos 12 meses). E, ainda segundo apuração da Broadcast, tenta um aumento de capital que seria estimado entre US$ 1 bilhão e 1,5 bilhão. A viabilidade desse aporte, porém, está condicionada à entrada de um novo sócio no negócio, para além das controladoras Cosan e Shell.

A S&P afirma, porém, no comunicado sobre o rebaixamento, que “os sinais de enfraquecimento dos acionistas e da administração para os planos anunciados de capitalização e venda de ativos da Raízen aumentam a probabilidade de reestruturação da dívida”.

A agência de classificação de risco entende que o engajamento de consultores financeiros indica a alta probabilidade de reestruturação, o que a casa considera como “calote”. “A administração e os acionistas indicaram que novos planos seriam anunciados em curto prazo, mas a falta de atualizações concretas sugere que esses planos estão enfrentando desafios, enquanto a alavancagem permanece alta e a empresa continua experimentando queima de caixa”, escreve a S&P.

O lado operacional da empresa, ainda na visão da S&P, parece de melhora improvável. A Raízen divulgou recentemente sua prévia operacional para os resultados do terceiro trimestre fiscal, e indicou um desempenho mais fraco no negócio de açúcar e etanol (S&E) – embora a distribuição de combustíveis no Brasil mostre melhorias. “Isso deve resultar em um Ebitda mais baixo e uma alavancagem mais alta para o ano fiscal de 2026 do que previmos anteriormente, em cerca de R$11 bilhões e 5,0 vezes a 5,5 vezes, respectivamente”, diz o comunicado. O cenário para o ano fiscal de 2027 indica um desempenho ainda mais fraco para o negócio de S&E.

Sobre o caixa, a leitura é de que a companhia ainda tem condições para suportar a operação. A empresa reportou uma posição de caixa de R$18,6 bilhões, além de suas linhas de crédito rotativo não utilizadas totalizando US$1 bilhão, e uma dívida de curto prazo de R$7,4 bilhões em 30 de setembro de 2025, o que indicava uma estrutura de capital gerenciável no curto prazo. “No entanto, com o consumo contínuo de caixa e a falta de entrada de caixa prometida, esse caixa seria consumido em dois anos”, afirma a avaliadora de riscos.

Contato: talita.ferrari@estadao.com

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