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5 de fevereiro de 2026
Por Isabella Pugliese Vellani e Pedro Lima
São Paulo, 05/02/2026 – Tradicionalmente considerado um ativo de segurança, o ouro disparou quase 10% em janeiro e, em apenas quatro dias em fevereiro, se apreciou quase 4%. Neste início de 2026, o metal precioso foi beneficiado por um “céu de brigadeiro” para o ativo: alto risco geopolítico, incertezas macroeconômicas e preocupações em relação ao futuro do Federal Reserve (Fed), apesar de a indicação de Kevin Warsh para suceder Jerome Powell na chefia do BC americano ter arrefecido o ambiente de suporte à commodity. Para os próximos meses, a maior parte dos analistas confia em uma valorização ainda mais forte do metal.
Em horizontes mais longos, grandes instituições seguem projetando preços elevados para o ouro, ainda que com cenários alternativos bem definidos. Em relatório enviado à Broadcast, o UBS estima que o metal possa alcançar US$ 6.200 por onça nos primeiros nove meses do ano, antes de moderar para cerca de US$ 5.900 no fim de 2026, com alta sustentada por fluxos de investimento. O banco vê potencial de avanço a US$ 7.200 em caso de escalada geopolítica, enquanto um aperto monetário mais duro nos EUA é apontado como o principal risco de baixa.
Já o Deutsche Bank avalia que um dólar estruturalmente mais fraco pode levar o ouro a US$ 6.000 ainda este ano, sustentado pela busca de diversificação para fora de ativos denominados na moeda americana. Em contraste com o consenso mais construtivo, a Capital Economics vê riscos relevantes de correção e projeta queda de cerca de 30% no ouro até o fim do ano, para perto de US$ 3.500 a onça-troy, sob volatilidade amplificada por posições especulativas e risco de fortalecimento do dólar.
Em entrevista à Broadcast, o economista de commodities da Capital, Hamad Hussein, alerta que o dólar pode ter papel protagonista para futuras negociações do ouro. Segundo ele, nas últimas semanas, o metal foi beneficiado pela fraqueza da moeda americana, mas uma recuperação sustentada do dólar e a redução da incerteza sobre as perspectivas da política monetária nos EUA podem levar a uma queda nos preços do metal.
Hussein ainda ressalta que a compra de ouro por bancos centrais continuará a exercer influência positiva sobre os preços, à medida que continuam a acumular ouro, mas, embora as instituições estejam comprando mais ouro do que antes de 2022, a demanda do setor público parece estar diminuindo um pouco.
A recente correção do ouro, após uma sequência de altas, é vista por parte do mercado como um ajuste técnico, e não como uma reversão de tendência. Para Yuxuan Tang, do JPMorgan Private Bank, o movimento representa uma normalização após um rali considerado “irracional”, ao reduzir o excesso de posicionamento especulativo.
Mesmo após o recuo, os preços seguem acima dos níveis do início do ano. Segundo relatório do JPMorgan Private Bank visto pela Broadcast, os fundamentos permanecem intactos, com projeção de US$ 6.150 a onça-troy no fim do ano, e intervalo entre US$ 6.000 e US$ 6.300. Já o Goldman Sachs vê a correção recente como oportunidade de compra e aponta risco de alta acima de sua projeção de US$ 5.400 a onça, sustentada por compras de bancos centrais, demanda por ETFs e diversificação do setor privado.
Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor de Finanças no curso de Administração da ESPM e especialista em mercados internacionais, afirmou à Broadcast que a forte valorização no início do ano distorceu parte das estimativas.
Parte da pressão vendedora foi intensificada por fatores técnicos e regulatórios. O aumento das exigências de margem pela CME – a última, feita na semana passada, sendo a terceira em menos de dois meses – elevou o custo de manutenção de posições em contratos futuros, forçando liquidações adicionais em um mercado sensível para mudança de expectativas em relação à política monetária dos EUA.
Para Santos Filho, a valorização recente do ouro ainda está ligada a um movimento mais profundo de questionamento do sistema monetário internacional. “O ouro vem se tornando cada vez mais uma reserva de segurança, principalmente para países emergentes, em um momento em que o dólar começa a ser mais questionado”, aponta. Nesse contexto, a indicação de Warsh à presidência do Fed introduz um paradoxo para o mercado.
Santos Filho observa que o ouro teve forte queda no dia em que surgiram notícias sobre a possível indicação de Kevin Warsh ao Fed, praticamente apagando os ganhos de janeiro. Segundo ele, o movimento reflete o histórico de Warsh, que já defendeu uma mudança de regime no banco central e questionou sua credibilidade, levando o mercado a “duvidar do grau de independência institucional” da autoridade monetária.
O ANZ destaca que o rali anterior havia sido amplamente impulsionado por temores de que um Fed mais suscetível à influência política pudesse promover um afrouxamento monetário agressivo, elevando riscos inflacionários. A indicação de Warsh, vista como mais dura no combate à inflação, reduziu essa percepção e contribuiu para o movimento de correção dos últimos dias.
Para Ipek Ozkardeskaya, analista sênior do Swissquote Bank, o desempenho recente do ouro é preocupante, já que o metal vem se comportando mais como um ativo de risco do que como um refúgio. Segundo ela, posições altamente especulativas e alavancadas explicam essa distorção, e eventuais quedas nos preços poderiam ajudar a restabelecer o papel do ouro como ativo de proteção.
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Evolução da cotação do contrato mais líquido ouro na Comex, divisão de metais da bolsa de Nova York (Nymex), com dados até 04/02/2026. Fonte e elaboração: Broadcast.
Contatos: isabella.vellani@estadao.com e pedro.lima@estadao.com
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