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7 de maio de 2026
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Por André Marinho
São Paulo, 06/05/2026 – Os três maiores bancos privados em volume de ativos do País (Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil) registraram lucro combinado de R$ 22,9 bilhões no primeiro trimestre, um crescimento de 9,7% ante igual intervalo do ano passado. Na comparação com os três meses imediatamente anteriores, por outro lado, houve apenas uma leve variação negativa de cerca de 0,2%, como resultado da maior cautela na concessão de crédito e de fatores sazonais que pressionaram a geração de receitas com serviços.
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A expectativa era de que o grupo obtivesse ganho de R$ 23 bilhões no período, de acordo com a média das projeções de analistas consultados pelo Prévias Broadcast.
Em processo de transição na gestão, o Santander gerou ruídos no mercado ao comprimir o retorno sobre patrimônio líquido (RoE) e revelar uma escalada da inadimplência. O Itaú, por sua vez, enfrentou o desafio de explicar como poderá sustentar a resiliência que vem exibindo, frente ao contexto macro mais difícil. Já o Bradesco cumpriu a promessa de continuar expandindo a lucratividade gradualmente, trimestre a trimestre.
Historicamente, o começo do ano costuma ser marcado por um faturamento menor com tarifas bancárias, depois da atividade tipicamente robusta da temporada de compras do Natal. Desta vez, no entanto, o fenômeno veio acompanhado de um arrefecimento também no crédito, diante dos efeitos de uma Selic em dois dígitos. O movimento já era esperado, mas induziu uma reação defensiva entre investidores.
Com o Santander, que abriu a fila na semana passada, o mercado demonstrou desconforto em relação ao revés no plano de levar a rentabilidade à casa dos 20%. O retorno sobre patrimônio líquido (RoE) recuou 1,5 ponto porcentual no comparativo anual e fechou o trimestre em 16%. Já o lucro líquido caiu quase 2%, a R$ 3,8 bilhões, aquém das previsões. O banco também alimentou preocupações sobre a qualidade de ativos, ao informar avanço de 0,6 ponto porcentual na inadimplência medida por atrasos superiores a 90 dias, a 3,3%.
Cautela
De saída do cargo, o presidente do Santander Brasil, Mario Leão, reconheceu as restrições no ambiente macroeconômico, mas se disse confiante na capacidade de abrir o caminho para um negócio mais rentável – um otimismo que não reverberou nas mesas de operações da Faria Lima. “Acreditamos que as tendências gerais para os próximos trimestres serão desafiadoras, reforçando nossa visão mais cautelosa sobre a ação, apesar de seu desempenho inferior no ano até agora”, afirmaram analistas do BTG Pactual.
No Itaú, ao contrário, o RoE deu mais um passo positivo e alcançou o maior nível desde o segundo trimestre de 2015, a 24,8%. Ainda assim, as ações preferenciais caíram mais de 1% na B3 depois do balanço, diante da postura mais cautelosa do maior banco privado do País. A instituição financeira, acostumada a entregar recordes trimestrais, viu o lucro cair levemente na passagem na comparação com os três meses finais de 2025, a R$ 12,3 bilhões.
Assim como o chefe do Santander, o presidente do Itaú, Milton Maluhy Filho, admitiu os desafios econômicos e geopolíticos. Segundo ele, as condições macro são “piores” agora do que no começo do ano, em meio aos efeitos da guerra no Oriente Médio. O cenário pode retardar o ciclo de cortes de juros da Selic, mas Maluhy não espera que o cenário resulte uma piora da inadimplência, que fechou o trimestre estável em 1,9% no Itaú, pelo critério de atrasos acima de 90 dias. “Seguimos disciplinados para entregar resultados”, comentou.
Plano
O Bradesco também manteve a inadimplência relativamente controlada, com leve alta trimestral de 0,1 ponto porcentual, a 4,2%. No caminho em direção ao plano estratégico de cinco anos, o banco da Cidade de Deus entregou um RoE de 15,8% e ampliou o lucro para R$ 6,8 bilhões. “O cenário macro piorou, vimos guerra, e ainda assim gerimos bem os riscos, preservamos a qualidade dos nossos ativos, reforçamos o nosso balanço, aproveitamos as oportunidades que apareceram e aumentamos a nossa rentabilidade”, celebrou o presidente do banco, Marcelo Noronha.
Contato: andre.marinho@estadao.com
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