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Suínos/ABPA: reconhecimento da China pode impulsionar exportações do Brasil em 40 mil t

3 de junho de 2026

Por Guilherme Nannini

São Paulo, 03/06/2026 – A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) celebrou, em nota oficial, o anúncio do governo da China que reconheceu todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação. Segundo projeções técnicas da entidade, a expansão desse status sanitário para Estados que têm plantas frigoríficas já habilitadas deve representar um incremento superior a 40 mil toneladas anuais nos embarques brasileiros de carne suína destinados ao mercado chinês, com reflexos positivos na geração de empregos e divisas.

O presidente da ABPA, Ricardo Santin, avaliou que a medida valida a robustez do sistema de defesa agropecuária nacional e consolida a confiança construída entre os dois países. Com a nova resolução, os Estados do Rio Grande do Sul (com 8 plantas habilitadas) e de Mato Grosso (com 1 planta) passam a contar imediatamente com as mesmas prerrogativas de exportação anteriormente restritas a Santa Catarina (que possui 7 plantas), ficando autorizados a embarcar miúdos externos (como pé e orelha) e carne com osso.

A decisão de Pequim atende a um pleito brasileiro formalizado após o País obter, em junho do ano passado, o status de território livre de febre aftosa sem vacinação pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA), e soma-se à homologação de risco negligenciável para a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), o “mal da vaca louca”, anunciada em fevereiro. A China permanece como o principal destino das proteínas brasileiras. Conforme dados consolidados do sistema de estatísticas Agrostat, os embarques totais de carnes suína, bovina e de frango para o mercado chinês somaram 2,057 milhões de toneladas em 2025, gerando uma receita de US$ 9,815 bilhões.

Carne bovina

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) classificou como histórica a decisão do governo da República Popular da China de reconhecer todo o território brasileiro como livre de febre aftosa sem vacinação. O anúncio oficial, realizado, ontem (2), por meio de um comunicado conjunto da Administração Geral das Alfândegas da China (GACC) e do Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China (MARA), encerra um ciclo de negociações bilaterais conduzido ao longo de mais de duas décadas e estabelece um novo marco para a consolidação e o aprofundamento da relação comercial entre as duas nações.

Em nota, a Abiec destacou que a medida é o resultado direto de um esforço contínuo e integrado entre produtores rurais, indústrias frigoríficas, serviços veterinários oficiais e órgãos de defesa agropecuária. A entidade ressaltou a liderança técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na consolidação do sistema sanitário nacional, bem como a articulação diplomática conduzida pelo Ministério das Relações Exteriores (MRE), fundamentais para obter a chancela das autoridades de Pequim. “O avanço eleva de forma significativa o grau de segurança jurídica e de previsibilidade para o comércio de proteína animal, favorecendo toda a cadeia produtiva nacional”, disse a associação em nota.

Contato: guilherme.nannini@estadao.comP

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