Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Soja: Mercado de defensivos cresce 6% no Brasil e alcança US$ 10 bilhões na safra 2025/26

2 de junho de 2026

Por Gabriel Azevedo

São Paulo, 02/06/2026 – O mercado de defensivos agrícolas usados na soja no Brasil cresceu 6% na safra 2025/26 e atingiu US$ 10,05 bilhões, ante US$ 9,45 bilhões no ciclo anterior, segundo dados do estudo FarmTrak Soja, da Kynetec Brasil. O avanço foi sustentado pelo aumento da área plantada nas regiões analisadas e pela maior intensidade de tratamentos nas lavouras. O desempenho, porém, foi limitado pelo câmbio no período de compra dos insumos.

A área plantada com soja nas regiões acompanhadas pela consultoria cresceu 1,5% e ficou acima de 47 milhões de hectares. A intensidade média de tratamentos subiu quase 9%, de 30,5 aplicações na safra 2024/25 para 33,2 em 2025/26. Na prática, isso significa que o produtor ampliou o número de intervenções nas lavouras ao longo do ciclo.

A área potencial tratada, indicador que soma todas as aplicações feitas no período, chegou a 1,563 bilhão de hectares, alta de 11% ante 1,414 bilhão de hectares na temporada anterior. Esse número não corresponde à área física plantada, mas ao total acumulado de aplicações. Uma mesma lavoura pode entrar várias vezes nessa conta, conforme recebe fungicidas, herbicidas, inseticidas ou outros produtos ao longo da safra.

O especialista em pesquisas da Kynetec, Vitor Hugo Leite, afirmou que o mercado poderia ter avançado mais sem o efeito do câmbio. “A desvalorização do real frente ao dólar, levando em conta o período de compra dos insumos da soja, afetou negativamente no desempenho geral dos defensivos, na ordem de 4,5%. O mercado, portanto, poderia ter crescido mais”, disse em nota.

A série do FarmTrak mostra que o mercado de defensivos usados na soja passou de US$ 5,92 bilhões na safra 2020/21 para US$ 10,05 bilhões em 2025/26. Em reais, o valor de mercado cresceu de R$ 31,33 bilhões para R$ 56,10 bilhões no mesmo intervalo.

Por categoria, os fungicidas seguiram como o principal segmento de defensivos usados na oleaginosa, com 39% do mercado total, ou US$ 3,95 bilhões. Os herbicidas ficaram em segundo lugar, com 24% de participação e US$ 2,46 bilhões, seguidos pelos inseticidas, com 23% e US$ 2,28 bilhões. Tratamentos de sementes, nematicidas e outros produtos, como adjuvantes e inoculantes, somaram US$ 1,37 bilhão, equivalente a 14% do mercado.

O investimento médio do produtor por aplicação ficou praticamente estável. Segundo a Kynetec, o valor unitário passou de R$ 35,61 na safra 2024/25 para R$ 35,89 em 2025/26.

Entre os segmentos, o maior destaque foi o avanço dos nematicidas, usados no controle de nematoides. Esses organismos vivem no solo, atacam as raízes das plantas e podem reduzir o potencial produtivo da lavoura. A categoria cresceu 28% em relação à safra anterior, para US$ 320 milhões, e passou a representar 3,2% do mercado total de defensivos para soja. Em reais, o segmento avançou 34%, para R$ 1,79 bilhão.

A expansão dos nematicidas também aparece em uma série mais longa do FarmTrak. Em valor, o segmento saiu de US$ 94 milhões na safra 2020/21 para US$ 320 milhões em 2025/26, avanço médio anual de 28%. Na área potencial tratada, o salto foi de 8,01 milhões para 31,46 milhões de hectares no mesmo intervalo, com crescimento médio anual de 31%.

Na comparação anual, a área potencial tratada com nematicidas subiu 40% na safra 2025/26, para 31,46 milhões de hectares, ante 22,51 milhões de hectares no ciclo anterior. Leite afirmou que o uso desses produtos deixou de ser pontual na cultura. “Até a safra 2017-18, o manejo de nematicidas era ‘marginal’. Sua aplicação ocorria em menos de 5% da área cultivada”, afirmou. “Nos últimos anos, a pesquisa registra evolução contínua do segmento. No ciclo 2025-26, os produtos cobriram 49% dos cultivos. Há mais conscientização, nos dias de hoje, quanto aos riscos dessa praga.”

O estudo também apontou aumento no uso de variedades de soja com alguma característica de tolerância ou resistência aos nematoides. Na safra 2025/26, essas cultivares ocuparam 31% da área plantada, ante 27% no ciclo 2021/22.

Leite afirmou que o controle da praga não depende apenas da aplicação de defensivos. “Nematoides afetam o sistema produtivo no todo. As práticas para o controle vão além do uso de defensivos e de variedades com características de tolerância e resistência. O produtor tem de manter a população da praga em níveis baixos, para prevenir perdas”, apontou.

A adoção de nematicidas, porém, ainda não é homogênea entre as regiões produtoras. Segundo a Kynetec, em Goiás, Mato Grosso, Rondônia e no Mapitoba, região que reúne Maranhão, Piauí, Tocantins, Bahia, a adesão aos produtos ultrapassa 60% da área plantada. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, fica na faixa de 10%.

O FarmTrak Soja foi elaborado com mais de 3.725 entrevistas presenciais com produtores de soja em toda a fronteira agrícola brasileira.

Contato: gabriel.azevedo@estadao.com

Veja também