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Arko Advice/Stewart: Decisão dos EUA sobre PCC e CV eleva riscos para empresas expostas a dólar

29 de maio de 2026

Por Gustavo Nicoletta

São Paulo, 29/05/2026 – A designação americana do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode significar uma camada adicional de risco regulatório e operacional para empresas, em especial bancos, meios de pagamento, seguradoras, fintechs, exportadores e qualquer grupo com exposição ao dólar e a correspondentes internacionais. A avaliação é de Michael Stewart, sócio da consultoria Arko Advice.

Segundo ele, a estratégia de contraterrorismo da Casa Branca inclui esse tipo de designação para “disponibilizar autoridades de inteligência adicionais e negar e interromper fluxos financeiros e acessos aos EUA”. Na prática, isso amplia o espaço para investigações e ações de rastreamento que podem atingir transações com algum vínculo com o sistema financeiro americano, mesmo quando a atividade ocorre fora dos EUA.

Como o sistema bancário brasileiro é integrado ao sistema internacional, Stewart avalia que a designação “abre a porta” para atuação mais assertiva de inteligência e para um escrutínio mais duro sobre fluxos financeiros.

O ponto mais sensível para o setor privado é que facções já operam com lógica empresarial. Stewart lembra que PCC e CV têm estruturas para lavagem de dinheiro e usam o sistema financeiro com camadas nacionais e transnacionais. Nesse cenário, a designação pode permitir que autoridades americanas sejam “mais incisivas nas investigações”, buscando “acesso a contas e a transações internacionais que tenham qualquer ligação possível com os EUA”.

O risco, para as empresas, é ter operações travadas, relações comerciais questionadas e custos de conformidade elevados para reduzir exposição. Políticas internas, monitoramento, apetite a risco e controles de terceiros tendem a ficar mais rígidos – e mais caros.

“O risco relevante é o estabelecimento de um arcabouço jurídico que permitiria interferência” diferente do que seria possível sem a designação. Segundo o sócio da Arko, ainda que o sistema financeiro brasileiro tenha mecanismos avançados, estrutura de compliance, a capilaridade e capacidade das organizações criminosas desafia esses mecanismos.

Contato: gustavo.nicoletta@estadao.com

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