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A entrada em vigor da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a exigir a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, está reposicionando a saúde mental como um tema central na agenda de negócios das empresas. Mais do que uma obrigação regulatória, a norma inaugura um patamar […]
30 de abril de 2026

A entrada em vigor da nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passa a exigir a gestão de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, está reposicionando a saúde mental como um tema central na agenda de negócios das empresas. Mais do que uma obrigação regulatória, a norma inaugura um patamar de responsabilidade corporativa ? com impactos diretos em produtividade, custos e reputação.
?A NR-1 está sendo tratada por muitas empresas como mais uma obrigação de compliance, quando, na prática, ela é uma agenda de negócio?, afirma Alline Benfatti, líder de Forensic, Integrity & Dispute Services (FIDS) da Grant Thornton Brasil. ?Estamos falando de gestão de risco reputacional, de produtividade e de custo. Ignorar isso hoje é assumir um risco estratégico?, acrescenta.
Riscos invisíveis, impactos concretos
Diferentemente dos riscos físicos tradicionalmente associados à segurança do trabalho, os riscos psicossociais são mais difíceis de identificar ? e, justamente por isso, mais perigosos. Eles envolvem fatores como metas excessivas, jornadas prolongadas, ausência de suporte, assédio e conflitos interpessoais, podendo gerar estresse, ansiedade, depressão e burnout. Além do impacto humano, esses fatores têm efeitos diretos no desempenho das organizações, com aumento do absenteísmo, rotatividade e perda de produtividade. ?O maior erro é tentar tratar esse tema com a lógica tradicional de risco. O risco psicossocial é multifatorial, invisível e profundamente ligado à cultura e à liderança?, explica Alline.
O risco do ?compliance de fachada?
Um dos principais alertas levantados é a existência de um ?teatro de compliance? nas empresas ? estruturas formais que não se traduzem em prática real. Segundo a especialista, o risco atual não é apenas não estar em conformidade, mas aparentar estar ? sem efetividade. ?Hoje, ter um programa bonito no papel não protege a empresa. Pelo contrário, pode aumentar a exposição em auditorias e na percepção de mercado?, destaca Alline. ?O risco reputacional de um compliance ineficaz é muito maior?, completa.
Liderança e dados no centro da transformação
Outro ponto central é que a gestão de riscos psicossociais não pode ser centralizada em uma única área, como RH ou compliance. A norma exige uma abordagem transversal, com envolvimento direto da liderança. Isso porque, na prática, são os líderes que definem os principais vetores de risco ? como metas, pressão, autonomia e clima organizacional.
?A liderança é o maior fator de risco ? ou de solução. Sem trabalhar esse ponto, qualquer iniciativa tende a ser superficial?, diz a especialista. Além disso, ela ressalta que as empresas já possuem dados relevantes para iniciar essa gestão ? como indicadores de turnover, absenteísmo, canais de denúncia e pesquisas de clima ?, mas ainda falham em conectá-los e interpretá-los de forma estratégica.
De obrigação legal a diferencial competitivo
Embora a norma represente um desafio relevante, o Guia Prático da Grant Thornton aponta que sua implementação também abre espaço para ganhos concretos. Entre os principais benefícios estão reduzir passivos trabalhistas ? em um cenário que registrou mais de 2,1 milhões de novas ações em 2024 ?, além do fortalecimento da cultura organizacional e melhora do ambiente de trabalho.
A adequação à NR-1 também pode contribuir para a obtenção do Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental, previsto na Lei 14.831/24, reforçando a reputação e a atratividade das organizações. ?A empresa que consegue estruturar bem essa agenda não só reduz risco, como melhora engajamento, produtividade e posicionamento de marca. Isso vira vantagem competitiva?, pondera Benfatti.
O tempo de adaptação já começou
A nova NR-1 entrou em vigor em maio de 2025, com um período inicial de caráter educativo. A partir de 2026, a fiscalização passa a incluir autuações e penalidades para empresas que não estiverem em conformidade. Para Alline, o momento atual é decisivo para as organizações que querem sair na frente.
?Ninguém está completamente pronto, mas o erro hoje não é esse ? é não ter começado?, frisa. ?A NR-NR-1 vai acelerar a maturidade das empresas, como vimos com outras regulações. Quem utilizar esse momento para estruturar bem a agenda vai ganhar vantagem nos próximos anos?, conclui.
Website: https://www.grantthornton.com.br/
Imagem publicada: (Unsplash)
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