Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Eleições 2026: PT quer aliança com PSDB para fortalecer disputa pelo governo de SP

13 de abril de 2026

Por Bianca Gomes e Pedro Augusto Figueiredo, do Estadão

São Paulo, 13/04/2026 – Depois de levar o ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) para a vice de Luiz Inácio Lula da Silva, o PT quer agora atrair o PSDB para a chapa de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.

Integrantes da direção nacional do PSDB confirmaram ao Estadão que os petistas tentam abrir diálogo com o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra, pré-candidato tucano ao governo paulista.

Relataram, ainda, que lideranças do PT na Câmara e no Senado sondaram o partido sobre uma eventual filiação da ex-ministra do Planejamento Simone Tebet. As conversas, no entanto, não avançaram, e Tebet acabou trocando o MDB pelo PSB para disputar o Senado em São Paulo.

Para dirigentes tucanos, a aliança com o PT é de difícil costura. Já petistas argumentam que os tucanos foram escanteados na administração paulista e estão sem espaço no projeto de reeleição de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o que justificaria uma composição inédita com o PT, seu rival histórico.

Coordenador do Prerrogativas e aliado próximo de Haddad, Marco Aurélio de Carvalho confirmou que há um movimento de aproximação do PT com o PSDB em São Paulo e disse ver com bons olhos a iniciativa. O Prerrogativas esteve à frente da articulação que levou Tebet a disputar o Senado por São Paulo

“É induvidoso que Haddad quer construir uma frente ampla em São Paulo”, diz Marco Aurélio. “O PSDB colaborou muito para a democracia do País. É um luxo para nós ter relação com suas lideranças. Haddad é um político amplo e vai saber conduzir esse processo.”

Procurado, Paulo Serra não retornou aos contatos da reportagem. O espaço segue aberto.

Sem sentido

Um tucano ouvido reservadamente diz não ver sentido em um apoio do PSDB ao PT, mas considera plausível que os petistas estimulem o partido a lançar candidato próprio, numa estratégia para aumentar o número de candidaturas e favorecer a realização de um segundo turno.

Esse mesmo tucano avalia que seria mais interessante para o PSDB ter candidato próprio do que caminhar com Tarcísio, já que, numa eventual segunda etapa da disputa, o partido seria um apoio importante e teria maior poder de barganha. Além disso, a estratégia ajudaria a fortalecer o uso do número de urna do PSDB e, por consequência, a impulsionar a eleição de deputados.

Mesmo que apoie o governador, o PSDB ficará de fora da chapa de Tarcísio. A composição terá como vice Felício Ramuth (MDB), atual ocupante do cargo, além de Guilherme Derrite (PP) e um nome indicado pelo PL para o Senado.

Na chapa de Haddad, ainda há duas vagas indefinidas: a de vice e uma de senador, que está sendo disputada pelos ex-ministros Márcio França (PSB) e Marina Silva (Rede). Tebet será a outra candidata ao Senado.

Haddad tem buscado ampliar o arco de alianças, que atualmente conta apenas com partidos de esquerda. Além do PSDB, o pré-candidato do PT tenta se aproximar do PSD de Gilberto Kassab. O dirigente partidário descartou uma aliança e disse que está fechado com Tarcísio.

Estranhamento no Bandeirantes

Aliados do governador estranharam o que interpretaram como uma abertura de diálogo dos tucanos com os petistas. No mês passado, os presidentes nacional, Aécio Neves (PSDB), e estadual, Paulo Serra, se reuniram com Tarcísio e pediram ajuda na montagem da chapa de deputados em São Paulo.

O movimento foi lido no Palácio dos Bandeirantes praticamente como uma confirmação de que o PSDB estaria na coligação do governador. Além da conversa com o PT, outro ponto que desagradou o entorno de Tarcísio foi a declaração de Aécio, de que Paulo Serra poderia ser candidato a governador. A avaliação no Bandeirantes, contudo, é que Serra não conseguiria viabilizar uma candidatura competitiva.

Atualmente, o PSDB forma uma federação com o Cidadania, o que significa que os partidos precisam atuar de forma conjunta. O deputado federal Alex Manente (Cidadania-SP), que preside o Cidadania a nível nacional, disse ao Estadão que pedirá a Aécio para que o partido comande a federação em São Paulo – atualmente, o posto está vago.

“Por uma razão simples e objetiva que está no estatuto: nós temos dois deputados federais de São Paulo no Cidadania e nenhum do PSDB”, disse Manente. A posição do Cidadania, segundo ele, é apoiar a reeleição de Tarcísio.

Depois de perder o governo de São Paulo após quase 30 anos de hegemonia, o PSDB sofreu uma sequência de derrotas no Estado. Enfrentou debandada de prefeitos, desapareceu na Câmara Municipal da capital, onde chegou a ter a bancada mais expressiva ao lado do PT, e sofreu um esvaziamento na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) durante a janela partidária, passando de 8 deputados para um. Boa parte de seus quadros migraram para o PSD de Kassab.

Veja também