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Lula diz que Brasil e Bolívia renovaram compromisso em combate ao crime organizado na fronteira

16 de março de 2026

Por Gabriel de Sousa

Brasília, 16/03/2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta segunda-feira, 16, que o Brasil e a Bolívia renovaram o compromisso em combater o crime organizado na fronteira entre os Países. A declaração do presidente se deu durante a visita do presidente boliviano, Rodrigo Paz, à Brasília.

“Nossa integração vai além dos setores de infraestrutura e energia, Bolívia e Brasil estão unidos na preocupação com a segurança pública. O acordo que assinamos hoje renova nosso compromisso com o combate ao crime organizado nos dois lados da fronteira. Ele prevê maior coordenação para prevenir e punir o tráfico de drogas e de pessoas, contrabandos, roubos de veículos, lavagem de dinheiro, mineração ilegal e crimes ambientais”, afirmou Lula em declaração à imprensa no Palácio do Planalto.

O acordo citado por Lula prevê a cooperação para aprimorar ações para prevenção, investigação, repressão e sanção de crimes organizados transnacionais, visando principalmente os crimes de tráfico humano, narcotráfico, lavagem de dinheiro, mineração ilegal e tráfico de armas, além de crimes cibernéticos e ambientais.

A declaração de Lula ocorre em meio à investida dos Estados Unidos, que pode classificar as facções criminosas do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Nos bastidores, o governo brasileiro se manifesta de forma contrária a medida, alegando que a designação abriria brechas para novas ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra o Brasil.

Durante a declaração à imprensa, Lula disse que o comércio bilateral com a Bolívia está “aquém do potencial” dos dois países. Segundo o presidente, há potencial para impulsionamento nos setores de alimentos, lácteos, material genético, sementes, frutas, algodão, cana de açúcar e soja e biotecnologia.

O presidente também manifestou interesse em cooperar com a Bolívia, que não possui acesso ao mar, em conseguir realizar o escoamento dos seus produtos pelo Oceano Atlântico.

“Queremos avançar em uma das aspirações que mobilizou vários governos bolivianos: obter acesso fluvial para o Atlântico. Com esse propósito, o Brasil apresentou ano passado projeto de acordo tripartite, com a Bolívia e o Paraguai, para aumento da navegabilidade da hidrovia do rio Paraguai, que inclui a dragagem, sinalização e balizamento do Canal Tamengo, que conecta a Lagoa de Cáceres a Corumbá”, disse o presidente.

Citando a recente guerra no Oriente Médio, parafraseada por Lula como um “contexto internacional marcado por conflitos que ameaçam a provisão segura de combustíveis”, o presidente disse que a Bolívia se mantém como uma “fonte segura” e é a maior fornecedora de gás natural ao Brasil. Ele disse ainda que o País está disposto a colaborar com o vizinho nas áreas de biocombustíveis e energias renováveis.

Lula também citou as recentes crises políticas na Bolívia nos anos de 2019 e 2024, quando o ex-presidente Evo Morales foi destituído e quando o sucessor dele, Luís Arce, sofreu uma tentativa de golpe de Estado. Comparando os acontecimentos com os atos golpistas de 8 de Janeiro, o presidente disse que os dois países souberam lidar contra tentativas de rupturas democráticas.

“Como no Brasil em 8 de janeiro de 2023, a democracia também enfrentou desafios na Bolívia, em 2019 e 2024 e, em ambos os casos, saímos fortalecidos. Nossos países provaram que instituições democráticas e a vontade popular são capazes de superar tentativas de ruptura”, declarou o presidente.

Contato: gabriel.sousa@estadao.com

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