Selecione abaixo qual plataforma deseja acessar.

Operação Azimut mira fraude cibernética bilionária contra empresas e instituições financeiras

10 de dezembro de 2025

São Paulo, 10/12/2025 – A Polícia Civil do Estado de São Paulo realizou nesta terça-feira uma operação contra uma organização criminosa suspeita de envolvimento em fraudes financeiras e lavagem de dinheiro. O foco eram Campinas, Hortolândia e São Paulo.

Oito suspeitos já foram detidos – seis na capital paulista e dois em Campinas. Os demais investigados são considerados foragidos e não tiveram os nomes revelados. As investigações apontam que o grupo é suspeito de usar acessos ilegais a sistemas financeiros para fazer transferências bancárias não autorizadas, resultando em prejuízos para empresas e instituições financeiras. Não foram dados detalhes.

“As apurações indicam ainda que valores obtidos de forma ilícita eram posteriormente movimentados por meio de empresas e contas utilizadas para ocultar a origem do dinheiro”, disse a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP).

A pasta afirmou que uma das empresas de fachada do grupo movimentou mais de R$ 6,8 bilhões em dois anos, segundo relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A suspeita é de que os valores sejam provenientes de diversas fraudes praticadas contra instituições financeiras.

Batizada de Operação Azimut, a ação foi feita por meio da 2.ª Delegacia de Crimes Cibernéticos (DCCiber). Ao menos 40 agentes atuaram no cumprimento das ordens judiciais com o objetivo de identificar outros envolvidos e reunir provas para o aprofundamento das investigações.

COMO A INVESTIGAÇÃO COMEÇOU? De acordo com o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil do Estado de São Paulo, as investigações começaram em janeiro deste ano, a partir de um caso em que uma empresa de meio de pagamento registrou prejuízo de R$ 19,2 milhões após ser vítima de um furto mediante fraude.

Com base nos depoimentos e informações colhidos, a Polícia Civil identificou a organização criminosa voltada à prática de crime financeiro, que também realizava empréstimos fraudulentos. Segundo as investigações, os criminosos usavam empresas formalizadas para esconder a origem do dinheiro e mantinham um escritório de contabilidade para estruturá-las.

“A título de exemplo, funcionavam 15 empresas no mesmo local, demonstrando uma aparente legalidade e fragilidade dos dados colocados no ato da inscrição dessas empresas”, disse o delegado Maicon Richard, responsável pelo caso.

Os investigados também são suspeitos de envolvimento em outros furtos e respondem por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

INVESTIGAÇÃO. Na semana passada, a Polícia Civil mirou uma quadrilha de criminosos que gerenciava uma rede de 49 empresas em um esquema de lavagem de dinheiro, atuando como um verdadeiro prestador de serviços para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). As investigações mostraram como padarias, adegas, concessionárias e fintechs ofereciam a traficantes, estelionatários e operadores de jogos de azar esquemas para ocultar o “dinheiro sujo”.

O coronel Paulo Mauricio Maculevicius Ferreira, secretário adjunto da Secretaria da Segurança Pública, explicou que as empresas lavavam o dinheiro com a mescla de rendimentos (mistura do dinheiro “bom” e do dinheiro “ruim”) e triangulação (múltiplas transações entre pessoas físicas, jurídicas e empresas de fachada).

Veja também