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O futuro verde da Petrobras

Para o gerente-executivo de Gestão Integrada de Transição Energética, William Nozaki, é preciso elevar exportação de biodiesel

19 de junho de 2026

Por Denise Luna

A alta do preço do petróleo não teve o poder de esfriar a trajetória da Petrobras rumo à descarbonização. Em vez de reduzir o ritmo da agenda de transição energética, a companhia prepara uma nova fase para sua operação de biocombustíveis, apostando em um mercado que pode ganhar espaço tanto dentro quanto fora do País.

Em entrevista à Broadcast Weekend, o gerente-executivo de Gestão Integrada de Transição Energética, William Nozaki, afirma que a Petrobras pretende ampliar a integração com a Petrobras Biocombustível (PBio), estuda reativar a usina de Quixadá (CE) e quer transformar o excedente da produção nacional de biodiesel em oportunidade de exportação para a Europa. A estratégia também inclui a expansão para novos negócios, como o biobunker.

Ele sinaliza ainda que a companhia enxerga a transição energética como uma avenida de crescimento capaz de conviver com um ciclo favorável ao petróleo. A seguir os principais trechos da entrevista:

Broadcast – A Pbio passou por várias transformações. Como está a empresa hoje? 

William Nozaki – A PBio passou, nos últimos anos, por um processo significativo de transformação. Durante o período em que integrou a carteira de desinvestimentos da Petrobras, foram descontinuadas as operações nos segmentos de etanol, além de alienadas as participações no setor de biodiesel e em projetos de verticalização da cadeia de matérias-primas. A partir de 2024, com a retirada da PBio da carteira de desinvestimentos, a companhia retomou os investimentos voltados ao aumento da confiabilidade operacional e à modernização de suas plantas de biodiesel.

Broadcast – Quais são os ativos da atualmente?

Nozaki – São plantas localizadas em Candeias (BA) e Montes Claros (MG). Adicionalmente, está em avaliação a possibilidade de reativação da unidade de biodiesel de Quixadá (CE), atualmente hibernada desde 2016. Desde 2024, a PBio também passou a atuar na comercialização do enxofre proveniente das refinarias da Petrobras, produto em parte destinado à fabricação de fertilizantes. Essa iniciativa reforça a sinergia da PBio com o setor do agronegócio, ao mesmo tempo em que contribui para aumentar a resiliência e a diversificação dos ativos da empresa.

Broadcast – Como a empresa prevê ampliar a integração com a Petrobras?

Nozaki – A PBio e a Diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras (DTEN) têm atuado de forma constante para identificar e capturar oportunidades de sinergia entre as empresas. Como exemplo recente desse trabalho conjunto, destaca-se a exportação de biodiesel certificado para a Europa, realizada em parceria com a Petrobras Global Trading (PGT).

Broadcast – Mas como será feita essa integração?

Nozaki –  A companhia enxerga um potencial significativo para a ampliação dessas sinergias, que deverão ser implementadas de maneira estruturada à medida que os estudos e avaliações em andamento avancem. Dessa forma, espera-se fortalecer ainda mais a integração operacional e estratégica entre a PBio e a Petrobras.

Broadcast – Como a Pbio pretende entrar no mercado de biobunker? Já possui produção do combustível?

Nozaki – A entrada no mercado de biobunker está sendo estruturada em parceria com a Petrobras, que atualmente já realiza a comercialização desse combustível no porto de Rio Grande. À medida que a Petrobras expandir a oferta de biobunker para outros portos do País, a utilização do biodiesel produzido pela PBio na formulação do produto deverá se tornar viável e competitiva do ponto de vista logístico. Essa atuação conjunta visa potencializar sinergias e ampliar a participação da PBio no segmento de combustíveis sustentáveis para o setor marítimo.

Broadcast – Poderia explicar os planos de exportar biodiesel para Europa?

Nozaki –  A PBio dispõe de unidades industriais localizadas em posições geográficas competitivas para exportação, e usa, em média, matérias-primas com menor intensidade de carbono do que a média do setor no Brasil. Além disso, conta com a Petrobras Global Trading (PGT) como parceira natural na comercialização internacional. Esses fatores têm colocado a agenda de exportação de biodiesel para a Europa em destaque desde 2025, perspectiva que tende a se manter nos próximos anos.

Broadcast – A produção nacional já atende todo o mercado interno? Quanto sobra para exportar?

Nozaki – O Brasil apresenta atualmente uma capacidade ociosa relevante no setor de biodiesel, em torno de 40%, o que torna natural a busca por mercados externos como complemento ao atendimento do mercado doméstico. Ainda assim, os requisitos regulatórios, de certificação e de acesso aos mercados europeus fazem com que o volume exportado pelo país ainda seja relativamente modesto, apesar do potencial produtivo disponível.

 Broadcast – A Pbio pretende crescer por meio orgânico ou adquirir plantas já existentes para crescer?

Nozaki – Atualmente, o foco da PBio está voltado prioritariamente para a otimização das operações já existentes, com ênfase no aumento do fator de utilização de suas plantas industriais. Paralelamente, a companhia vem avaliando a retomada da produção na unidade de Quixadá (CE), hoje hibernada, como parte de sua estratégia de fortalecimento da capacidade produtiva orgânica.

Broadcast – A Pbio pretende fazer parcerias para expandir a produção?

Nozaki – A PBio encontra-se em processo de prospecção de potenciais parcerias que possam alavancar os negócios atuais da companhia e viabilizar uma eventual expansão de sua produção, com foco em rentabilidade e resiliência. Até o momento, contudo, não há nenhuma parceria formalmente definida.

Broadcast – Por que a Pbio quer participar da Ubrabio e por que não participava antes?

Nozaki – A PBio permaneceu, até recentemente, inserida na carteira de desinvestimentos da Petrobras, contexto em que não se justificava sua adesão às associações representativas do setor. Com a retomada da estratégia de investimentos da Petrobras em biocombustíveis, a participação da PBio em entidades como a Ubrabio passou a ser considerada estratégica, uma vez que essas associações, com elevado nível de qualificação técnica, protagonizam o debate nacional das principais pautas regulatórias, tecnológicas e de mercado do segmento.

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