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Eurasia/Thomson: decisão EUA sobre PCC e CV coloca Lula em posição política e de retórica difícil

29 de maio de 2026

Por Caroline Aragaki

São Paulo, 29/05/2026 – A decisão do Departamento de Estado dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas coloca o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma posição política e de retórica difícil, afirma a analista Julia Thomson, da Eurásia.

Para Thomson, o governo Lula precisa ter um pouco de cautela sobre a maneira como vai se posicionar contra a decisão dos EUA. “Dependendo da forma com que se posiciona, o governo poderia soar como leniente com crime em um ano eleitoral”, avalia em entrevista à Broadcast, ressaltando que, em geral, a população vê qualquer medida que soe como uma ação mais dura contra o crime organizado como favorável e que, nestas eleições, a pauta de segurança pública tem sido uma das maiores preocupações por parte do eleitorado.

A analista, contudo, nota que o governo Lula é contrário à medida dos EUA por uma questão de soberania, “por entender que teria que ser uma decisão feita internamente no Brasil e de que o País tem as próprias formas de combater o crime organizado”.

Não necessariamente o senador e candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, tem ganhos imediatos pela decisão dos EUA de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas, considera a analista da Eurasia. Contudo, ela menciona que a tendência é de que tire um pouco o foco da relação entre Flávio e o caso do banco Master envolvendo corrupção.

“É favorável para o Flávio. Mas eu não sei se de imediato haverá uma melhora nas pesquisas para ele. Talvez seja possível ver uma desaceleração da piora que ele vinha tendo nas pesquisas. E dependendo de como Flávio conseguir encabeçar esse discurso, de que ele é um candidato que tem capacidade de acabar com a insegurança pública do Brasil, pode vir a beneficiá-lo. Mas eu diria que hoje é mais um problema para Lula, do que uma ajuda direta à campanha de Flávio”, avalia.

Thomson nota, ainda, que a ida de Flávio a Washinton foi um “empurrão final” para a decisão dos EUA de fato ser tomada, mas que, antes, os esforços diplomáticos por parte do governo Lula foram capazes de adiar a ação. Isso por meio da estratégia de manter uma relação pessoal entre Trump e Lula e apresentar o que o País estava fazendo para combater o crime.

O cenário-base da consultoria ainda é de que o presidente Lula seja favorito entre os eleitores para a disputa ao Palácio do Planalto.

Contato: caroline.aragaki@estadao.com

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