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29 de maio de 2026
Por Bianca Gomes e Pedro Augusto Figueiredo, do Estadão
São Paulo, 29/05/2026 – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse a aliados que deseja que o ex-ministro do Empreendedorismo Márcio França (PSB) seja candidato a vice-governador na chapa de Fernando Haddad (PT) em São Paulo. A expectativa é que o presidente procure o ex-ministro nos próximos dias para conversar sobre o assunto.
O PSB ainda pretende defender que França seja candidato ao Senado, mas não rejeita com veemência a ideia. Para a indicação a vice acontecer, integrantes do partido esperam que haja alguma compensação a nível nacional, como a garantia de que o pessebista será indicado a algum ministério em caso de reeleição de Lula.
Procurado, França disse que a Executiva do partido já colocou sua candidatura ao Senado como prioritária, mas que o PSB não busca compensações. (Leia mais abaixo)
O imbróglio ocorre porque o PT resiste a ceder as duas vagas ao Senado paulista ao PSB. O presidente Lula já disse que uma delas ficará com Simone Tebet (PSB), mas a outra segue indefinida e está sendo disputada entre Márcio França e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, filiada à Rede.
Integrantes do PSB sustentam que o partido filiou Tebet a pedido do próprio Lula e que, por isso, sua indicação na chapa de Haddad faria parte da “cota pessoal” do presidente. Eles justificam ainda que não seria justo Tebet, recém-chegada ao PSB, ser indicada para o Senado, e França, um quadro histórico, acabar preterido.
Nos últimos dias, o partido chegou a inclusive cogitar lançar França e Tebet, independentemente da decisão envolvendo a chapa de Haddad. O movimento congestionaria a esquerda, que teria três candidatos para apenas duas vagas ao Senado.
Em um sinal de que não pretende abrir mão da candidatura de França, o PSB nacional aprovou nesta quarta-feira, 27, a prioridade nas candidaturas dos dois ex-ministros ao Senado. Na sexta-feira passada, a deputada federal Tabata Amaral (PSB) disse que a demora para definir a chapa atrapalha a campanha.
“Eu venho defendendo que cabe todo mundo, que é só se conversarem para ajeitar. O mais importante é que a gente entenda que temos uma eleição difícil e não podemos correr o risco da política perder o tempo do que acontece na rua”, disse.
Integrantes da direção do partido têm a expectativa de que Lula entre em campo para resolver pessoalmente o impasse. O presidente tinha uma reunião marcada com o dirigente nacional do PSB, João Campos, na quinta-feira, 28.
“O PSB não busca compensações. Somos parte da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin. Faremos tudo o que for melhor para a reeleição da chapa Lula-Alckmin e para a garantia da democracia. Todo o resto é secundário”, disse Márcio França ao Estadão por meio da assessoria de imprensa.
São Paulo não é o único nó entre PT e PSB que deve ser resolvido nos próximos dias. Lula também sinalizou que pretende dar uma declaração de apoio a João Campos na disputa pelo governo de Pernambuco, indicando que terá palanque único no Estado.
Uma ala do governo ainda defende que o presidente fique neutro no Estado, para não prejudicar a governadora e pré-candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), rival de Campos, mas de quem o petista é aliado.
TSE deve decidir sobre candidaturas fora da coligação
A possibilidade de que partidos de uma mesma coligação para governador, como é o caso do PSB com Haddad e o PT, lancem candidaturas isoladas ao Senado ainda é uma incógnita nessa eleição.
Em 2022, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou a prática, mas naquele pleito havia apenas uma vaga de senador em disputa por Estado.
O Republicanos apresentou uma consulta à Corte Eleitoral perguntando se a regra se repetirá na eleição deste ano, onde há duas vagas em jogo. O questionamento foi oficializado em novembro do ano passado. Relatado pela ministra Estela Aranha, o caso ainda não foi julgado pelo plenário.
A advogada eleitoralista Ezikelly Barros afirma que, ainda que o TSE tenha proibido as coligações cruzadas – a sigla integrar uma coligação para governador e outra para senador – e liberado as candidaturas isoladas na última eleição, não é possível afirmar que esse entendimento seja mantido para o pleito deste ano.
Indefinições em Minas e Goiás
A aliança entre PT e PSB também enfrenta indefinições em outros Estados. Em Goiás, a primeira reunião das presidentes estaduais do PSB, Aava Santiago, e do PT, Adriana Accorsi, aconteceu somente nesta semana. “Havia uma instabilidade, mas essa semana começamos a ter uma mudança”, disse Aava ao Estadão.
Ela afirma que o apoio à reeleição de Lula está garantido e que a nível estadual a aliança está “bem encaminhada”, mas sem martelo batido. Segundo Aava, para ter o apoio do PSB, o PT precisa apresentar um nome competitivo para disputar o governo de Goiás pois há receio de que o grupo do atual governador Daniel Vilela (MDB) retalie deputados que ficarem na oposição.
“Segurar isso sem ter uma resposta é muito desgastante”, disse, acrescentando que a aliança com o PT depende de quem encabeçar a chapa. “Tem que ser uma candidatura robusta”, declarou ela, que chegou a ser cotada para ser candidata a governadora e atualmente é pré-candidata a deputada federal.
Um dos nomes que passariam pelo crivo do PSB é o da própria Adriana Accorsi, mas ela resiste à ideia. No início da semana, o PT ofereceu a vice na chapa ao PSB e o partido contrapôs com a indicação da ex-deputada Isaura Lemos ao Senado.
Em Minas Gerais, Lula e o PT pediram ao PSB que filiasse o senador Rodrigo Pacheco (PSB) para disputar o Palácio Tiradentes. Pacheco se filiou, mas optou por não se candidatar. O presidente do PT, Edinho Silva, tornou a notícia pública antes do próprio Pacheco, o que gerou incômodo no partido e entre aliados do senador.
Sem Pacheco, não há um favorito para ser o palanque de Lula no Estado. Uma ala do PT quer que a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), deixe a pré-candidatura ao Senado para assumir a tarefa – ela tem dito que não há possibilidade disso ocorrer. Também são sondados o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT), o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB) e dois nomes do PSB: o empresário Josué Gomes e o ex-procurador Jarbas Soares.
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