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27 de maio de 2026
Por Aguirre Talento, do Estadão
Brasília, 27/05/2026 – A Polícia Federal (PF) intimou o ex-sócio do Banco Master Augusto Lima e um ex-diretor financeiro da instituição financeira, Ângelo Ribeiro Silva, para prestarem depoimentos sobre as suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras para o Banco Regional de Brasília (BRB).
A nova rodada de esclarecimentos também deve ouvir funcionários do segundo escalão do BRB na condição de testemunhas das operações financeiras.
O principal depoimento deve ser de Augusto Lima, que já havia sido intimado para prestar esclarecimentos em janeiro, mas a oitiva foi cancelada após a defesa avisar que ficaria em silêncio caso não tivesse acesso a todos os elementos de prova.
Criador do Credcesta, sistema de crédito consignado aplicado inicialmente aos servidores públicos do governo da Bahia e que passou a compor o principal ativo do Banco Master, Augusto Lima tinha ligações políticas com integrantes do PT baiano e também com o grupo político opositor.
Lima era sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master e chegou a ser preso na primeira fase da Operação Compliance Zero. Mensagens obtidas pela PF mostram que ele era acionado por Vorcaro para auxiliar na liberação de créditos do BRB desde agosto de 2024, quando o banco público começou a ser usado para cobrir o rombo nas contas do Master. Ele deixou o banco para abrir uma nova instituição financeira, o Banco Pleno, mas a crise de confiança gerada pela situação do Master acabou resultando também na liquidação do seu novo banco.
Como mostrou o Estadão, a PF já avançou na obtenção de provas sobre os crimes financeiros envolvendo os aportes de ao menos R$ 12 bilhões do BRB para salvar as contas do Master e tem indícios de que gestores do banco público ignoraram de forma deliberada as suspeitas de irregularidades nas carteiras de crédito para dar prosseguimento às operações. A PF chegou a apontar que o BRB “não foi vítima” dos crimes e teve participação neles.
Essa rodada de depoimentos é mais um passo da PF para avançar rumo à conclusão da investigação sobre a tentativa de compra do Master pelo BRB.
Outro a ser ouvido, Ângelo Ribeiro Silva participava de um grupo de WhatsApp no qual, segundo as investigações da PF, Vorcaro dava ordens para confeccionar documentos e produzir contratos para tentar legalizar as operações de crédito com o BRB.
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