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Conab: Arco Norte consolida-se como principal rota de entrada de adubos e saída de grãos

27 de maio de 2026

Por Tânia Rabello

São Paulo, 27/05/2026 – Os portos do Arco Norte consolidaram-se como principal rota de entrada de fertilizantes e de escoamento de grãos do agronegócio brasileiro, reforçando a mudança do eixo logístico nacional do Sul e Sudeste para a região Centro-Norte do País. Os dados constam do Anuário Agrologístico 2026 – Volume 3, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Segundo o levantamento, os portos do Arco Norte movimentaram 13,36 milhões de toneladas de adubos e fertilizantes em 2025, superando o Porto de Paranaguá, no Paraná, que registrou 10,89 milhões de toneladas desembarcadas no período. A mudança teve início em 2024 e se consolidou no ano passado.

De acordo com o presidente da Conab, Sílvio Porto, em nota, o avanço da região é resultado dos investimentos públicos em infraestrutura e da redução da distância logística entre as áreas produtoras e os portos do Norte. “Antes todo o grão de Mato Grosso saía ou por Paranaguá ou, principalmente, por Santos (SP). Agora, se reduziu a distância até o porto pela região do Pará e também do Maranhão”, afirmou.

O diretor de Operações e Abastecimento da estatal, Arnoldo de Campos, destacou na nota da Conab que um dos fatores para o crescimento das importações de fertilizantes pela região é o uso do chamado “frete de retorno”. Segundo ele, caminhões e embarcações seguem para os portos carregados de grãos e retornam às regiões produtoras transportando fertilizantes, reduzindo custos logísticos.

Entre 2021 e 2025, as importações de fertilizantes pelos portos do Arco Norte cresceram 62,7%, enquanto Paranaguá registrou retração de 0,8% no mesmo período. O porto de Itaqui, no Maranhão, respondeu por 34% do total de fertilizantes internalizados pela região, seguido por Santarém, no Pará, com 22%, e Salvador, com 21%, atendendo principalmente o Matopiba – Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia.

O avanço da infraestrutura logística também impulsionou as exportações de soja e milho. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) compilados pela Conab, os embarques de grãos pelos portos do Arco Norte passaram de 36,56 milhões de toneladas em 2021 para 58,06 milhões de toneladas em 2025, crescimento de 59%.

O destaque foi o porto de Itaqui, que elevou a movimentação de grãos de 11,55 milhões para 20,14 milhões de toneladas no período. Em Itacoatiara, no Amazonas, os embarques saltaram 188%, passando de 3,83 milhões para 11,02 milhões de toneladas. Já Barcarena, no Pará, movimentou 16,03 milhões de toneladas de grãos em 2025.

No caso da soja, as exportações brasileiras atingiram 108,18 milhões de toneladas no ano passado, alta de 9,48% em relação a 2024. Desse volume, 36,2% saíram pelos portos do Arco Norte, enquanto Santos respondeu por 32% e Paranaguá por 13,4%. Já as exportações de milho somaram 40,98 milhões de toneladas em 2025, com 48% do volume embarcado pelos portos da Região Norte.

A Conab também apontou mudanças na matriz logística do País. A participação do transporte hidroviário nas exportações de grãos cresceu de 8% em 2010 para 15% em 2025. Já o modal ferroviário perdeu participação relativa, passando de 53% para 38% no período.

Apesar dos avanços, a estatal ressaltou que a consolidação do Arco Norte traz desafios ligados à expansão agropecuária na Amazônia e à necessidade de novos investimentos em hidrovias, ferrovias, rodovias e modernização portuária. Segundo a Conab, o fortalecimento da região deverá depender da integração entre diferentes modais de transporte e da ampliação da infraestrutura logística nos próximos anos.

Contatos: tania.rabello@estadao.com

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