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Fitch: títulos lastreados em bitcoin têm alto risco e perfil de crédito especulativo

12 de janeiro de 2026

Por Pedro Lima

São Paulo, 12/01/2026 – A Fitch Ratings afirmou que títulos lastreados em bitcoin apresentam riscos elevados e se enquadram em perfis de crédito de grau especulativo, segundo comunicado divulgado nesta segunda-feira.

De acordo com a agência de classificação de risco, a forte volatilidade da criptomoeda, somada à estrutura dessas operações e aos riscos de contraparte, exige níveis conservadores de garantia e mecanismos rápidos de desalavancagem. A Fitch também lembra que as falências de credores cripto em 2022 e 2023 evidenciaram os problemas associados a margens insuficientes.

O relatório aponta que essas operações costumam envolver um veículo de propósito específico que mantém bitcoin como garantia e emite dívida lastreada nesse conjunto de ativos, em um modelo semelhante a um empréstimo com margem. Há gatilhos automáticos de liquidação quando a cobertura cai abaixo de níveis predefinidos, geralmente com prazos curtos para recomposição. Para os detentores de bitcoin, esses instrumentos permitem monetizar as posições sem vender o ativo, enquanto investidores obtêm exposição ao preço do bitcoin por meio de títulos de dívida.

A Fitch destaca que a volatilidade do preço do bitcoin é o principal fator de risco. A quebra dos níveis de cobertura pode reduzir rapidamente o valor das garantias e materializar perdas. Como exemplo, a agência cita que a maior queda do bitcoin em um período de 24 horas foi de 49%, em março de 2020, o que reforça o risco de eventos extremos e a necessidade de exigências rigorosas de colateral.

O comunicado também aponta que riscos de contraparte podem agravar o perfil desses títulos, já que custodiante, agente de garantias e gestor de liquidação desempenham funções críticas. Entre os principais riscos estão falhas operacionais, problemas de cibersegurança e a possibilidade de perda de garantias em caso de falência do custodiante, além do fato de que os marcos legais para a segregação de criptoativos em processos de insolvência ainda são pouco testados, conclui a Fitch.

Contato: pedro.lima@estadao.com

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