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30 de abril de 2026
Por Tânia Rabello, enviada especial
Ribeirão Preto, SP, 30/04/2026 – O aumento recente da inadimplência no crédito rural não compromete, por ora, a saúde financeira da maior parte dos produtores brasileiros, avalia o diretor comercial do Banco Komatsu, Gustavo Ferreira. Em entrevista ao Broadcast Agro durante a 31ª Agrishow, realizada até amanhã em Ribeirão Preto (SP), ele afirmou que, embora a inadimplência tenha avançado, o cenário segue “administrável” e ainda há espaço para novos financiamentos.
Segundo Ferreira, a inadimplência na carteira do banco subiu de cerca de 0,8% há dois anos para um patamar entre 2,5% e 3,5% atualmente. “Há uma dificuldade maior hoje, com juros elevados pressionando o caixa e margens mais apertadas. Mas a maior parte dos clientes segue com saúde financeira aceitável, negociando e buscando investir”, disse.
Mesmo assim, o executivo destacou que o banco tem adotado maior rigor na análise das operações, especialmente diante do aperto no fluxo de caixa de empresas e produtores. Ainda assim, a política de crédito foi mantida. “Historicamente, aprovamos entre 50% e 60% das propostas. O que mudou foi a atenção maior na entrada das operações, evitando clientes já com restrições ou atrasos”, explicou.
Apesar do ambiente mais complicado, Ferreira vê oportunidades no mercado, impulsionadas por condições comerciais mais agressivas oferecidas por fabricantes. “Há redução de margens e subsídios em taxas, o que torna o investimento atrativo”, afirmou.
No caso da Komatsu, fabricante japonesa com forte atuação em construção e mineração, o agronegócio representa cerca de 10% da carteira de financiamentos, que soma R$ 1,4 bilhão no Brasil. As máquinas da empresa são usadas principalmente como suporte à produção agrícola, em atividades como infraestrutura de fazendas e operações específicas, como no setor sucroenergético.
Durante a 31ª Agrishow, Ferreira observou um perfil de produtor mais cauteloso, porém menos pessimista do que no ano passado. “Eles estão investindo no que é necessário e aproveitando oportunidades. Vejo uma percepção de início de um novo ciclo”, disse. Regionalmente, ele aponta maior otimismo no Centro-Oeste e em partes do Sudeste, Norte e Nordeste, enquanto o Sul ainda demonstra mais preocupação.
Entre as estratégias para estimular negócios, o banco tem subsidiado taxas de juros em conjunto com a fabricante, oferecendo condições que partem de 0% ao mês, com prazos de até cinco anos. Há também linhas de curto prazo, como financiamentos em 12 meses com entrada de 40%. O tíquete médio das operações gira em torno de R$ 1 milhão.
Sobre novas linhas de crédito anunciadas pelo governo federal, como a vinculada à Finep, anunciada no domingo na Agrishow, pelo vice-presidente, Geraldo Alckmin, Ferreira disse que ainda há incertezas quanto à elegibilidade dos equipamentos da Komatsu. Atualmente, o banco opera com linhas como o Finame Mais Inovação, com custo ao redor de 12% ao ano.
Em relação à Agrishow, a expectativa da empresa é elevar o volume de pedidos em 15% a 20% ante 2025, embora a conversão em vendas ainda dependa das condições de crédito e do cenário econômico. Nos primeiros dias da feira, o ritmo de pedidos se manteve em linha com o registrado no ano anterior.
Contato: tania.rabello@estadao.com
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