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25 de maio de 2026
Por Wilian Miron
São Paulo, 25/05/2026 – A Afya quer ampliar sua atuação para além do ensino médico e acelerar o crescimento de um ambiente digital voltado à rotina dos profissionais de saúde. A estratégia combina plataformas de educação continuada, softwares para consultórios, suporte à decisão clínica e ferramentas de inteligência artificial (IA), em uma frente que a companhia vê como uma das principais avenidas de expansão nos próximos anos.
A empresa, tradicionalmente conhecida pela graduação em medicina, construiu uma terceira vertical de negócios centrada em “soluções para prática médica”. A área reúne produtos como prontuário eletrônico, telemedicina, prescrição digital e aplicativos de apoio à decisão clínica usados em hospitais e consultórios.
Segundo o vice-presidente de soluções digitais da empresa, Lélio Souza, o objetivo é manter um relacionamento contínuo com o médico após a formação universitária e ser o principal parceiro desse profissional ao longo de toda a jornada dele. “O médico deixa de ser apenas um aluno e passa a ser um usuário permanente do nosso ecossistema digital”, disse à Broadcast.
O principal ativo dessa vertical é o whitebook, aplicação de suporte à decisão clínica usado por médicos em prontos-socorros e consultórios. De acordo com o executivo, de 250 mil a 300 mil médicos e estudantes utilizam atualmente alguma solução digital da empresa, o equivalente a cerca de um terço dos profissionais do País.
Além das ferramentas clínicas, a empresa ampliou sua atuação em educação continuada e atualização médica. A estratégia inclui plataformas de “life long learning“, com cursos, especializações e conteúdos em texto, áudio e vídeo consumidos diariamente pelos profissionais. “Todo dia o médico precisa se atualizar. A gente quer estar presente desde a graduação até a aposentadoria dele”, disse.
Outra frente considerada estratégica pela empresa é a conexão digital entre médicos e a indústria farmacêutica. A companhia busca substituir parte do modelo tradicional de visitas presenciais de representantes comerciais por canais digitais de engajamento, nos quais farmacêuticas distribuem conteúdos educacionais, informações sobre doenças e atualizações terapêuticas diretamente aos profissionais de saúde.
Segundo a Souza, mais de 100 farmacêuticas já trabalharam com suas plataformas e atualmente mais de 40 mantêm contratos ativos. A Afya vê espaço relevante de expansão nesse mercado, estimado em cerca de R$ 20 bilhões no Brasil. Executivos citaram empresas internacionais como a americana Doximity e a japonesa M3 como referências para o modelo de negócios.
Hoje, as áreas de educação continuada e soluções para prática médica representam cerca de 15% do resultado da companhia, mas a expectativa é que cresçam em ritmo mais acelerado do que a graduação, negócio mais regulado pelo Ministério da Educação (MEC). “A gente espera crescer esse business em taxas de dois dígitos nos próximos anos”, afirmou.
Ele explica, ainda, que a empresa também intensificou os investimentos em inteligência artificial. Entre as soluções em desenvolvimento estão ferramentas que transcrevem automaticamente consultas médicas, organizam prontuários, sugerem hipóteses diagnósticas e integram exames clínicos ao histórico do paciente. Segundo a companhia, o foco é usar a IA para aumentar a produtividade e a assertividade médica, sem substituir o profissional.
Executivos afirmam ainda que a companhia busca integrar suas plataformas desde a graduação. Alunos das faculdades de medicina da Afya já utilizam softwares da empresa durante aulas práticas, internatos e treinamentos clínicos, estratégia que a companhia compara ao modelo adotado por grandes plataformas de tecnologia. “O estudante começa a usar as ferramentas ainda na faculdade e continua usando ao longo da carreira”, afirmou Lélio.
Contato: wilian.miron@estadao.com
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