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Exclusivo/Ana Toni: Guerra e posição dos EUA atrapalham, mas direção sobre clima está dada

5 de março de 2026

Por Mateus Maia

Brasília – A CEO da COP30, Ana Toni, afirmou que a guerra no Irã e a posição dos Estados Unidos sobre a política climática global atrapalham, mas que a direção de longo prazo sobre o que deve ser feito com relação ao meio ambiente está dada e não deve ser alterada. Ela falou com exclusividade à Broadcast depois de participar do evento “Pós-COP30: o papel da indústria na agenda de clima”, organizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta quarta-feira.

“A mudança do clima é uma realidade, o planeta está aquecendo, todo mundo sabe disso. Então essas guerras e essa posição política dos Estados Unidos atrapalham, sim, atrapalham e atrapalham muito, só que ela não redireciona o posicionamento de longo prazo, porque a gente ainda tem que lidar com a mudança do clima. Está atrapalhando, mas a direçã está dada, não é um país, não é uma guerra, não é uma eleição que muda esse direcionamento”, afirmou.

Sobre o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, em inglês), Ana afirmou que a COP30 foi um grande marco com o lançamento dessa nova ferramenta de financiamento para o bioma e que as equipes do Itamaraty e do Ministério da Fazenda estão trabalhando para conseguir mais investimentos. Ela disse acreditar que o montante apresentado em Belém no ano passado deve crescer até a próxima COP na Turquia e que “provavelmente” haverá mais anúncios no meio do caminho entre uma conferência e a outra.

“Essa semana está tendo até uma missão do Ministério da Fazenda, Itamaraty e Ministério do Meio Ambiente, visitando alguns países para dar continuidade de atração de investidores e fortalecimento da governança, que é o que a gente se propôs a fazer nesse ano de 2026. Então, esse trabalho continua e a gente tem certeza que vai chegar na COP31, de novo, com resultados muito concretos. E, provavelmente, alguns anúncios entre aqui e a COP31”, declarou.

E continuou: “Tenho certeza que o fundo vai crescer, vai crescer muito, mas depende da geopolítica que a gente trouxe aqui. Não está tão fácil, não está ajudando tanto, mas eu tenho certeza que esse número vai aumentar nesse ano, ano que vem, vai continuar aumentando”.

Para a executiva, ter realizado a COP30 na Amazônia, no Estado do Pará, ajudou a consolidar o Brasil como um player importante nas políticas globais sobre o clima e o meio ambiente, demonstrando a seriedade com que o País leva o tema.

“Eu acho que a gente mostrou que o Brasil tem até muito orgulho do que tá fazendo no tema de florestas e combate ao desmatamento. O TFFF simboliza isso, que a gente é um protagonista muito importante”, afirmou.

Contato: mateus.maia@broadcast.com.br

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