Eventos corporativos já respondem por cerca de 20% da receita do Roxy, que amplia a aposta no segmento para acelerar o crescimento do negócio
17 de julho de 2026
Por Gabriela da Cunha
O palco é o mesmo, mas a plateia mudou. Por décadas, o Roxy foi um dos cinemas de rua mais emblemáticos do no Rio de Janeiro. Hoje, o endereço histórico em Copacabana disputa a atenção de outro público: o dos eventos corporativos. Reinventada como casa de espetáculos pelo empresário carioca Alexandre Accioly, o Roxy Dinner Show despertou o interesse de empresas, que buscam transformar convenções, lançamentos de produtos e encontros com clientes em experiências capazes de gerar impacto e fortalecer relacionamentos.
Em menos de dois anos em operação, a casa já recebeu eventos de mais de 20 grandes marcas e, em 2025, cerca de 20% do faturamento de R$ 55 milhões veio desse segmento. Accioly conta que o projeto foi “pensado para o turista” inicialmente, mas diante do novo filão de negócios que se abriu, a intenção agora é ampliar a fatia dos eventos corporativos e se consolidar como um complemento aos tradicionais hotéis e centro de convenções na atração de eventos de alto nível na cidade.
A aposta passa por reunir, sob o mesmo teto, cultura, negócios e experiências. Para isso, o imóvel histórico recebeu um investimento de cerca de R$ 55 milhões. Outros R$ 15 milhões foram destinados ao espetáculo musical “Aquele abraço”, que traz cenas de diferentes faces do Brasil em uma apresentação de mais de uma hora. Já a cozinha é um projeto de R$ 11 milhões e pode servir um jantar com até 700 pessoas simultaneamente.
“O nosso foco é aumentar o faturamento organicamente no segmento turístico e também no corporativo, especialmente em eventos no formato buyout [casa fechada]”, diz Accioly à Broadcast Weekend. “Ainda não entramos no DNA dos eventos, mas o Roxy já virou uma opção diferenciada para as empresas, não só pela localização, mas pela qualidade dos serviços que oferecemos”, sustenta.
O diferencial, explica o empresário, está na capacidade de criar experiências..
“A ideia aqui não é ser ‘mais uma casa de shows’. Aqui é para se viver uma experiência. As pessoas ficam impactadas por essa cúpula flutuante, feita em 72 pedaços de fibra de carbono e que segue o projeto original que encontramos no Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH). No jantar, o prato principal é finalizado no momento do pedido. A diferença na qualidade é absurda”, elenca.
No final de março, a casa conquistou mais um reconhecimento internacional ao entrar para a lista do entrou na lista dos 10% mais bem avaliados Travaller´s Choice Awards 2026, premiação do Tripadvisor que reúne as atrações mais bem avaliados do mundo. Um ano antes, a revista americana Time já tinha destacado o empreendimento como um dos melhores lugares do mundo para visitar.
Não por acaso, o Roxy foi escolhido para sediar jantares oficiais durante as reuniões do G20 e do Brics no Rio de Janeiro. No entanto, em poucas horas, o palco pode receber executivos reunidos para um café da manhã ou almoço, seja para convenção anual, seja para lançamentos de produtos ou empreendimentos imobiliários.
“Há um mix de competências aqui para fazer isso acontecer. Meu time todo veio da hotelaria, para que você seja bem recebido desde a chegada. Fui sócio do Grupo Fasano por 18 anos. Ninguém é sócio do Rogério Fasano e não aprende o mínimo, que é muito”, brinca.
O Roxy é um dos empreendimentos mais recentes de Accioly no Rio de Janeiro, junto à casa de espetáculos QualiStage e ao restaurante Casa Tua, na Barra da Tijuca. Conhecido também por ser fundador e presidente da Bodytech Company, Accioly diz que a proposta, a partir da preservação de um ícone carioca, não é competir com os hotéis pelos eventos corporativos.
“Somos um complemento aos hotéis que não têm espaços de convenções ou não conseguem atender a um grande público. Todos os hotéis são nossos parceiros porque o Roxy é um lugar de fácil acesso e serviço de alto padrão. Conseguimos customizar o jantar ou o almoço porque temos uma cozinha executiva liderada pelo chef Caio Silva, que é brilhante”.
Com o crescimento no número de eventos corporativos, empresário explica que a casa criou vários formatos para atender as diferentes demandas. Segundo ele, é possível realizar o evento com o show e jantar no formato tradicional, fazer uma versão menor do show ou mesmo ceder o palco apenas para a companhia realizar seu encontro com clientes ou funcionários. A cozinha também se adaptou aos diferentes modelos. Além da capacidade de oferecer um jantar para 700 pessoais simultaneamente, a casa criou um cardápio de finger foods para ser utilizado em eventos corporativos maiores. O maior reuniu 1,1 mil pessoas no antigo cinema reformado em Copacabana.
Brasilidades
Entre eventos corporativos e abertos ao público em geral, o Roxy Dinner Show já realizou mais de 420 apresentações do musical “Aquele Abraço”, criado e dirigido por Abel Gomes, que assinou as cerimônias dos Jogos Olímpicos Rio 2016, e que tem Pretinho da Serrinha na direção musical. Todas as noites, o palco é revelado com a abertura da cortina, que pesa uma tonelada. São mais de 60 artistas entre músicos, cantores, bailarinos, percussionistas e atores. “Todos CLT”, exalta Accioly. O espetáculo já ganhou novas cenas e deve ter novos figurinos e músicas no próximo ano.
A ideia de representar a cultura das cinco regiões do Brasil atraiu a Petrobras e a Caixa Econômica Federal, que são patrocinadoras anuais, e um público de mais de 120 mil pessoas em menos de dois anos. Cerca de 50% são turistas estrangeiros, 40% turistas do Brasil, principalmente paulistas e mineiros, e 10% cariocas. Superar a resistência de quem mora no Rio de Janeiro é outro interesse do empresário carioca.
“Empreendimentos permanentes como o Roxy dão uma experiência melhor a quem visita a cidade e trazem segurança e vida para essas ruas de Copacabana. O Rio de Janeiro nunca esteve tão voltado e focado para o turismo, ele só precisa que o carioca aposte mais na cidade”, finaliza.
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