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22 de maio de 2026
Por Maria Magnabosco, Levy Teles e Pedro Augusto Figueiredo, do Estadão
Brasília e São Paulo, 22/05/2026 – A Corte de Cassação, instância máxima do sistema judicial da Itália, anulou nesta sexta-feira, 22, a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo porte de arma de fogo ilegal nas eleições de 2022.
Zambelli foi solta após a decisão. Ela publicou um vídeo no perfil de seu marido, Coronel Aginaldo, no Instagram, acompanhada dele e do advogado Pieremilio Sammarco.
“Hoje é dia 22 de maio de 2026, dia de Santa Rita, nome da minha mãe e da pessoa que era minha companheira de cela”, disse Zambelli.
Ela elogiou a atuação de seus advogados, tanto no Brasil como na Itália. “Já estou aqui fora porque esse homem aqui na Itália e outros ajudantes, também com a ajuda do Fábio no Brasil, mas aqui na Itália eles fizeram o impossível”, disse ela, se referindo a Pieremilio e ao advogado Fábio Pagnozzi.
Zambelli afirmou ainda que “quando tudo estava perdido e quando a gente pensou que não ia dar certo” chegou a dizer para Pieremilio que ele podia deixar o caso, mas ele continuou com ela. “Essa vitória é consagrada a Deus, que ajudou o Pieremilio e o Alessandro [Sammarco, outro advogado italiano que atuou na causa]”, concluiu ela.
O processo ainda precisa do parecer do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio. O ministro tem um prazo de 45 dias para se manifestar a partir do acórdão da nova decisão da Justiça.
Segundo Pagnozzi, advogado da ex-parlamentar no Brasil, a “Suprema Corte da Itália reconheceu que Carla Zambelli é uma perseguida política e que as provas contra ela não eram sólidas e anulou, então, a extradição, anulando assim os dois processos dela na Itália”.
Assim, a ex-deputada pôde deixar a prisão e viver sem pendências a partir de agora na Justiça do país, já que ela possui cidadania italiana.
Havia dois pedidos de extradição contra Zambelli. O primeiro pela condenação por 10 anos de prisão por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserção de documentos falsos.
Ela também foi condenada uma segunda vez, a cinco anos e três meses de prisão, por perseguir armada um homem na véspera do segundo turno das eleições de 2022. Depois da primeira condenação, ela deixou o Brasil e foi para a Itália, onde foi presa.
De acordo com Pagnozzi, os dois pedidos de extradição estavam apensados, ou seja, foram julgados de forma conjunta nesta sexta-feira. “Os dois processos estão apensos. A Carla já está solta”, afirmou ele.
“Foi uma vitória gigantesca para nós. A gente estava quase certo que essa extradição ia sair, mas no fim conseguimos”, acrescentou o advogado.
Familiares dizem ter sido informados da decisão por meio da defesa de Zambelli no país europeu. O filho de Zambelli comemorou nas redes sociais. “É o melhor dia de todos. Minha mãe estará livre amanhã pela manhã. O advogado da Itália ligou para a gente. O julgamento na Itália foi um sucesso e minha mãe será livre amanhã”, disse João Zambelli, em publicação no Instagram. A soltura ocorreu antes do previsto por ele.
O marido da ex-deputada, Coronel Aginaldo, também já havia informado da decisão a aliados e amigos de Zambelli.
Antes da decisão desta sexta-feira, a Justiça italiana vinha proferindo decisões a favor da extradição de Zambelli nos dois processos em que ela foi condenada no STF. A defesa recorreu, então, à Corte de Cassação, que é a última instância da Justiça no país.
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