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28 de outubro de 2025
Por André Marinho
São Paulo, 24/10/2025 – A indústria de meios de pagamentos no Brasil se prepara para a fase mais intensiva da implementação do “trilho voucher”, a arquitetura financeira que fornece um novo caminho técnico para o processamento de benefícios como vale-alimentação, vale-refeição e vale-cultura. O instrumento cria um novo percurso pelo qual a transação será transmitida ao longo da cadeia – na prática, uma terceira “caixinha” ou “tubulação” para além dos já tradicionais crédito e débito.
A partir da próxima segunda-feira, 3, os comerciantes precisarão ter a opção “voucher” habilitada nas maquininhas para aceitar os benefícios. Pagamentos associados ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) com cartões das bandeiras Elo, Mastercard e Visa trafegarão exclusivamente por essa via e poderão ser negados se utilizados no crédito ou débito.
Para os lojistas que utilizam o modelo Point of Sale (POS, as maquininhas físicas), a atualização dependerá apenas da credenciadora e do varejista. No caso das soluções em Transferência Eletrônicas de Fundos (TEF, que integra o terminal de pagamento com o software de venda de uma empresa) e do e-commerce, outros elos da cadeia terão que ser envolvidos, como as operadoras de software.
O setor espera que o modelo fortaleça a transparência para consumidores e estabelecimentos, amplie a concorrência e facilite a aderência integral às normas vigentes. A adequação ajudará a enquadrar melhor os benefícios do PAT, que preveem benefícios fiscais para empresas. “Todos esses benefícios têm legislações específicas, e o Trilho Voucher foi concebido de forma a ter total aderência às regras aplicáveis”, explica o coordenador do grupo de trabalho de benefícios arranjos abertos da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Alessandro Rabelo, em entrevista ao Broadcast.
Arranjos abertos
O sistema funcionará com base nos chamados arranjos abertos, em que várias empresas podem participar livremente das etapas da transação. Regulamentado a partir de 2021, o modelo se opõe aos arranjos fechados, controlados por uma única companhia e com rede menor de aceitação. As credenciadoras já estavam autorizadas a usar a estrutura desde abril. “A partir de novembro, veremos uma migração mais massiva das transações”, comenta Rabelo.
Segundo agentes da indústria financeira, a criação de um novo trilho exclusivo era necessária para enquadrar os vales nos benefícios previstos no PAT. A expectativa é de que o sistema permita um controle mais preciso das operações e uma rastreabilidade detalhada.
A mudança também deve ampliar a rede habilitada para processar pagamentos com os benefícios, justamente pelo modelo de arranjo aberto. “Vamos acelerar a adoção do trilho, com os emissores talhando nessa parte de incentivo, mas não será uma ruptura drástica, para que não tenha impacto para o trabalhador”, ressalta Rabelo.
Bandeiras vão reforçar comunicação
As três principais bandeiras em funcionamento no Brasil agora devem reforçar a comunicação com consumidores e estabelecimentos para garantir a transição ordenada. À Broadcast, a Elo disse ter sido a primeira a implementar o novo trilho e que tem se preparado desde 2022 para o processo, com suporte tecnológico e consultivo a emissores e credenciadores. A Visa estruturou a iniciativa pela Visa Voucher, uma solução pronta para operar a nova infraestrutura de pagamento.
Já a Mastercard forneceu padrões de segurança e apoia a atualização dos terminais para habilitar a função voucher, afirmou o vice-presidente de soluções para clientes da empresa no Brasil, Leonardo Linhares. “Esse novo modelo fortalece a interoperabilidade entre emissores, adquirentes e estabelecimentos, garantindo mais transparência e eficiência”, ressaltou.
Contato: andre.marinho@estadao.com
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