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Ao mesmo tempo, o nível elevado chama a atenção de investidores estrangeiros, propiciando fluxo ao País
20 de março de 2026
Por Caroline Aragaki
O juro real brasileiro de curto prazo na casa de dois dígitos e o longo em cerca de 7,50%, acima da média histórica, sugere que a dívida pública pode atingir 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em dez anos. Para especialistas consultados pela Broadcast, a taxa pode até atrair capital especulativo, mas é insustentável a longo prazo e sinaliza que o tempo para um ajuste fiscal crível está se esgotando.
Independentemente de o Comitê de Política Monetária (Copom) ter cortado a taxa Selic em 0,25 ponto porcentual ontem, o estrategista-chefe da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, aponta que para o Banco Central realizar um afrouxamento monetário de maneira consistente é necessário que a política fiscal entre em sintonia com a política monetária, a fim de diminuir o juro real.
“Caso contrário, as projeções já apontam que daqui dez anos a dívida vai alcançar 100% do PIB, nível insustentável para uma economia emergente”, explica.
O economista Marco Antonio Caruso, do Santander, destaca que a política fiscal é a única variável controlável que influencia os juros reais. “O PIB você não controla, pode só tentar influenciar via reformas estruturantes. Talvez nem o juro nominal o BC possa controlar, já que a demanda, a oferta e os condicionantes macro é que vão determiná-lo. A inflação também não se controla. No fundo, o que pode ser controlado é o superávit primário, e no médio prazo este terá que ser endereçado”, afirma.
Por ora o Brasil apresenta gastos elevados e rígidos em relação ao PIB, enquanto a arrecadação é bastante volátil devido ao ciclo econômico, observa o economista-chefe da Porto Asset, Felipe Sichel. “Com isso, o País está sujeito a ter resultados primários piores. Consequentemente, a percepção da dívida é negativa e os agentes econômicos exigem mais prêmio de risco.”
A tese de que o juro real está em nível insustentável não data de hoje, e tem chamado a atenção principalmente desde 2022. Caruso, do Santander, nota que o juro real de 10 anos está em cerca de 7,50%, enquanto a média histórica de 15 anos aponta taxa de 5,60%. “Está praticamente 200 pontos-base acima da média histórica, e o juro real cruzou a média histórica a partir de 2022.”
Rostagno, da EPS, afirma que o juro real está em nível elevado desde que o BC teve que abandonar a Selic em 2% ao ano e fazer uma restrição monetária rapidamente, levando-a para 15% ao ano. “Apesar de não ser no nível atual, mais elevado, a taxa de juros real já era bastante alta no pós-pandemia. Isso piora a dinâmica da dívida, e sugere que o prazo que temos para conviver com esse nível de juros está diminuindo”, avalia.
Já Sichel, da Porto Asset, comenta que é difícil determinar o tempo limite para uma resolução da questão fiscal. Isso porque apesar de a trajetória mostrar que no longo prazo a relação dívida/PIB estará em nível extremamente elevado, outros fatores também se relacionam. Um deles, é a conjuntura internacional.
“Em um ambiente internacional que favorece um dólar mais fraco, a tendência é de que haja mais tempo para conseguir implementar soluções, por mais que o fator de preocupação continue presente”, exemplifica.
Neste meio tempo, um juro real mais elevado chama a atenção de investidores estrangeiros, propiciando entrada de fluxo para o País.
Segundo o gestor de portfólio da Connex Capital, Gean Lima, os investidores globais tendem a buscar duas coisas: crescimento e taxa de juros, e atualmente o País tem os dois.
Rostagno, da EPS, crava que o juro alto ocorre justamente para evitar uma saída de capitais. Contudo, reitera que “atrai apenas um capital especulativo, e reduz o capital produtivo”. Ele nota que em momentos de aversão a risco, o capital especulativo sai rapidamente.
“Um juro real alto pode ser atraente, mas não quer dizer que é linear. Nem todo juro real mais elevado é atrativo, às vezes é só prêmio de risco. Sem endereçamento do fiscal, acaba sendo prejudicial para a moeda”, afirma Caruso, do Santander.
Sichel, da Porto, relembra o episódio de dezembro de 2024, em que houve uma desvalorização aguda do real a despeito de juros mais elevados.
Na ocasião, o mercado financeiro havia se estressado com o pacote de contenção de gastos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, na época considerado como insuficiente para o reequilíbrio das contas públicas.
Tudo o mais constante, quando o juro real está mais elevado, acaba entrando fast money, um recurso internacional que busca retornos elevados, reitera o economista da Porto.
O economista do Santander também considera que desde 2020 o mundo como um todo tem visto uma tendência altista para o juro real neutro, principalmente por conta da deterioração fiscal.
“Ainda há demanda por nossos títulos, e parte dessa explicação é que o desafio fiscal brasileiro existe há muito tempo. Como teve piora relativa em outros mercados, faz com que nossa história talvez não seja tão ruim. A Covid-19 foi um evento relevante que empurrou várias geografias a ter que trabalhar com seu fiscal”, afirma.
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