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Empresa adotou estratégia de intensificar a presença no ponto de venda e acelerou a demanda na ponta.
9 de abril de 2026
Por Wilian Miron
A farmacêutica Cimed iniciou o ano com uma virada operacional relevante, ao registrar faturamento de R$ 1 bilhão no primeiro trimestre, sustentado por crescimento de 20% nas vendas para o varejo (sell-in) e 25% nas vendas ao consumidor final (sell-out), em um movimento que reflete a estratégia adotada no fim de 2025 de intensificar a presença no ponto de venda e acelerar a demanda na ponta.
Segundo o diretor-presidente da companhia, João Adibe, o desempenho do período é resultado direto de ações implementadas no último trimestre do ano passado, quando a empresa priorizou o giro de produtos no varejo, mesmo com impacto negativo sobre margens. A leitura é que o fortalecimento do sell-out destrava recompras e consolida participação de mercado, o que explica a “virada de chave” entre o fim de 2025 e o início de 2026. “Tudo o que plantamos no fim do ano consolidou o resultado do primeiro trimestre”, afirmou à Broadcast.
O crescimento foi puxado por um mix diversificado de categorias. O segmento de medicamentos, especialmente genéricos e a linha sazonal de inverno, seguiu como principal motor, enquanto frentes de consumo ganharam tração relevante. Entre os destaques está a linha Lavitan, com avanço de cerca de 60% nas vendas. Também contribuíram para o desempenho os lançamentos recentes em higiene e beleza, como a linha infantil João e Maria e a marca Super, no segmento de oral care e desodorantes, que tiveram forte aceitação no varejo. A estratégia de ampliar o portfólio para além do canal farma tradicional também reforçou o resultado, explicou Adibe.
A companhia adotou deliberadamente uma política de priorizar volume sobre rentabilidade no curto prazo, em meio a um cenário de pressão de custos e limitações de repasse de preços, especialmente no segmento de medicamentos, sujeito a controle regulatório. A decisão levou à compressão de margens, mas permitiu ganho de escala e manutenção de market share. “Preferimos crescer com menos margem do que perder espaço. Depois, recuperar posição custa mais caro”, disse.
Para sustentar o crescimento, a Cimed mantém plano de investimentos entre
R$ 200 milhões e R$ 250 milhões em 2026, com foco em expansão de capacidade e eficiência logística. Entre os projetos, está a inauguração de um novo centro de distribuição em Minas Gerais, prevista para o fim de abril ou início de maio, que deve reduzir custos de frete, atualmente cerca de 50% superiores aos do ano anterior, além de melhorar o nível de serviço. A companhia também avançou em verticalização com a aquisição de uma fabricante de oral care no início do ano.
No curto prazo, a demanda aquecida por genéricos, hoje superior à capacidade produtiva, com nível de ruptura de cerca de 25%, reforça a necessidade de expansão. Ainda assim, a empresa optou por acelerar investimentos mesmo em ambiente de juros elevados, apostando na captura de ganhos futuros. A avaliação é que o ciclo atual é transitório e que a manutenção de presença no mercado é estratégica.
Para 2026, a meta é crescer 15%, embora o desempenho do primeiro trimestre e o início do segundo indiquem um ritmo mais forte. A companhia também passou a adotar uma gestão orientada por trimestres, em substituição ao planejamento anual, como forma de ganhar agilidade na execução.
No horizonte, a empresa segue atenta a oportunidades de mercado, incluindo o avanço de novos medicamentos com quebra de patente e possíveis movimentos de consolidação. A abertura de capital não está no radar imediato, mas pode ser considerada em um cenário mais favorável, sobretudo como instrumento para financiar aquisições.
IPO
No que diz respeito a uma eventual abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) da Cimed na B3, Adibe indicou que o tema não está no radar imediato da companhia, sobretudo diante do cenário macroeconômico adverso, marcado por juros elevados e menor apetite a risco.
Na avaliação do executivo, o valuation das empresas tende a ficar pressionado em um ambiente de custo de capital mais alto, o que reduz a atratividade de um IPO no curto prazo. Ainda assim, ele não descarta a possibilidade no futuro, desde que haja uma janela de mercado mais favorável.
A eventual ida à bolsa, no entanto, teria um objetivo estratégico claro: financiar movimentos de consolidação, como aquisições e fusões, e não apenas sustentar o crescimento orgânico. Segundo Adibe, a companhia já demonstrou capacidade de expansão via M&A e poderia utilizar o mercado de capitais para acelerar esse processo, reduzindo a necessidade de alavancagem.
Nesse contexto, um IPO seria visto como uma ferramenta para ganho de escala e posicionamento competitivo, e não como uma necessidade imediata de capitalização.
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